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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

16.11.25

Não derrubem bibliotecas ...


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A Cláudia foi uma leitora que entrou repentinamente na biblioteca ambulante, agitando as folhas das histórias sempre que pousava os olhos nas sinopses, no nome destas. Foi mais, trouxe histórias que os leitores das aldeias da minha terra recordarão para sempre. Os que vierem depois deles relembrarão os próximos a vir, e assim sucessivamente. Como tem acontecido com os nossos antepassados até ao presente. A oralidade, foi o primeiro caminho, quando as palavras se conseguiram fixar, com o avanço dos anos, surgiram outras mais. A Cláudia também levou histórias, nos jornais, na televisão, no rádio, leu-se, viu-se e ouviu-se, histórias sobre as aldeias da minha terra. A sua passagem pela biblioteca ambulante foi breve, assim como é a dos outros leitores.Também deixam histórias, gosto de os ouvir a falarem sobre enredos e mexericos das aldeias. Mas, leitores com o perfil da Cláudia são difíceis, não aceitam conselhos sobre leituras, manifestam-se por instinto, são irreflectidos. Esta espontaneidade causa desordem nas histórias, na biblioteca ambulante, nos leitores que hão-de vir. Voltar a colocar tudo no lugar certo, alertar os leitores seguintes, caso algo não esteja bem. Por exemplo, uma história perdida, após ser lida apressadamente, tentando perceber se é a preferível para levar, folhear  colocando em risco ou mesmo danificando as páginas. Felizmente temos as bibliotecas onde é possível estancar e confiar as histórias, a informação, acessíveis a todos aqueles que queiram aprender e a perceber o passado e o futuro. Enquanto estas continuarem a servir as comunidades, e as pessoas em geral, estaremos seguros de conhecer ideias e maneiras de viver diferentes. Não derrubem bibliotecas, leitoras como a Cláudia não fazem falta nenhuma.