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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Não há leitores para levar histórias...

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A padeira não demorou muito tempo, após a biblioteca ambulante a ter ultrapassado, não houve corrida nenhuma, uma mulher com um andamento pesaroso vai na direcção do largo. Pouco depois juntaram-se mais, a padeira estacionou, como se tivessem molas a impulsiona-las, levantaram-se ao mesmo tempo com os sacos na mão. Rapidamente ficaram cheios de pão, voltaram a sentar-se, segundo elas houve orvalhada pela madrugada, uns chuviscos fizeram a sua aparição sem molharem a terra totalmente, ainda assim as nuvens continuam a tapar o sol na aldeia. A solidão é companheira das mulheres, recordam os seus homens que partiram, as palavras que lhes deveriam ter proferido, mas que não foram expulsas nos momentos de agonia, nas derradeiras horas no caminho onde não se avistava o final, mas do qual já não se podia voltar atrás. Não há leitores para levar as histórias, há histórias para ouvir e levar na memória. 

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