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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

13.01.26

Não manipulo o tempo ...


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Tenho saudades do sol, há vários dias que este não consegue ficar firme e estável nas aldeias da minha terra. A sua ausência tem consequências nas viagens e andanças, são poucos os leitores que vêm à biblioteca ambulante. As histórias correm o risco de ficarem deprimidas, constantemente, sem se mostrarem ao exterior, à privação dos toques carinhosos dos leitores. Quando as seleccionam, abrindo as páginas e deixar sair os ecos da parte mais interior. Depois, passarem para outros lugares, com as palavras a progredirem no conhecimento de quem as lê. Os personagens a darem o seu melhor ao longo das folhas estendidas, flutuando no imaginário dos leitores. Não manipulo o tempo, não tenho capacidade de prever os fenómenos naturais. Controlo as presenças e ausências dos leitores. Sei, se não vierem nos dias cinzentos e chuvosos, virão nos dias de sol, apressados, desculpando-se nas tarefas agrícolas, que os seguram na progressão da leitura. Para estarem presentes sempre que a biblioteca ambulante permanece nas aldeias.