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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

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Os pequenos leitores olham as páginas do futuro, o largo, onde o inverno se despede chorando sem parar. Sonham com os ovos da Páscoa, com o Dia do Pai. Descrevem a prenda feita na escola, arrumadas numa sala, aguardando o dia para surpreenderem o pai. A brincadeira ocupava-os a manhã toda, a chegada da biblioteca ambulante retirou-lhes o divertimento. Trouxe-lhes as histórias, desafiou o grupo a ouvirem a Sílvia a ler «Às vezes um abraço não chega». O ruído não gostou muito que o silêncio se impusesse na sala, bastou a Sílvia começar a proferir as primeiras palavras para não se lembrarem mais dos rumores das brincadeiras. Atentos ao início da história, à ilustração, aos personagens ganhando vida pela voz da Sílvia. No final dos abraços, foram os beijos da Sílvia a espevitarem as memórias ainda breves, a puxarem pelas respostas dos pequenos leitores. Uns gostavam de abraços, outros nem por isso, o importante é o tamanho, enorme, abraço à biblioteca ambulante do grupo dos pequenos leitores, sempre que está presente na escola. A chuva a cair miudinha está a ensopar a tarde, os leitores vespertinos não arriscarão sair de casa, mas, há sempre os que acreditam nas histórias. Aqueles que não se desviam das linhas onde as palavras seguem atrás umas das outras até ao último ponto final. O despenhadeiro é bastante elevado, o pânico surge do abismo, é um elevador onde não querem entrar. Não pressionam o botão para abrirem a porta, deixam-no andar, para baixo e para cima, levando e trazendo o tempo desocupado. A mobilidade da biblioteca, é a outra ponte onde encontram a acessibilidade para continuarem a sonhar, a acreditarem nas possibilidades que irão encontrar nos caminhos das histórias. Assim como os pequenos leitores, continuam a olharem as páginas do futuro.