Não sabem se serão as últimas ...
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- A minha mãe fazia assim! Ouve-se no pequeno espaço uma voz isolada. Logo outra se faz entoar mais alto. - A minha avô colocava meio litro de azeite... Mil uma receitas podiam ser descritas naquele momento no grupo de mulheres, leitoras da biblioteca ambulante, enquanto preparavam as broas. São pequenas histórias de vida, memórias, amassadas por mãos calejadas por anos de trabalho rural, continuam a manter os costumes, sem a inquietação dos outros tempos. A remontar, transmitindo, as maneiras de viver ao longo dos tempos na aldeia, são guardiãs do legado tradicional. Não sabem se serão as últimas, não acredito, no seio familiar haverá quem continue a escrever na massa a passagem do Dia de Todos os Santos. Homenagear os mortos, aqueles que deixaram conhecimento às gerações actuais. Bibliotecas humanas ao serviço da comunidade, onde o viajante das viagens e andanças procura encontrar histórias escritas, nas linhas, da vida destas mulheres.