Num espaço abafadiço ...
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O nevoeiro escapa-se da charneca, está em todo o lado, envolve a biblioteca ambulante a estrada, as aldeias. As histórias seguem atrás, aninhadas umas nas outras para não terem frio. O ar quente sai, aquece os pés do viajante das viagens e andanças, incapaz de alcançar as prateleiras, onde os personagens das histórias tiritam por causa do frio, inquietos, intrometem-se numas e noutras. Não param de saltar páginas, a correrem as linhas de cima para baixo, de baixo para cima, tentando encontrarem um lugar adaptável ao papel desempenhado no enredo. Num espaço abafadiço, um lugar mais quente, ou um diálogo caloroso, iludindo o leitor. Estou a pensar o mesmo, enfiar-me numa qualquer destas histórias, aquecer-me no meio das palavras, nas emoções, partir, descobrir o futuro, resolver o passado. Do interior da terra às estrelas há espaço suficiente para o devaneio acrobático das palavras. Há quem o faça com menos imaginação, ou nenhuma, uma pequena colina de lenha por arrumar na entrada de uma casa, alguém anda a carregar, provavelmente não tem frio, nem terá nos próximos dias do inverno. Um pequeno feixe de luz solar dá um ar da sua graça ao largo do coreto, um trecho musical numa tarde de outono.
