O girador de vento defronte ...
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As nuvens, entram impetuosamente para dentro do céu das aldeias da minha terra, estava previsto na meteorologia. A temperatura está de acordo com as viagens e andanças. O vento levanta os cabelos aos transeuntes que atravessam o largo da igreja, em Rio de Moinhos. Inquieta-os, na circunstância, em que caminham, matutando nos seus botões. Reclamam, falando para o vento, alguns impropérios ecoam no largo, seguem noutras direcções, empurrados pela deslocação do ar. O vento desassossega-os deixando-os fora de si. Vai interferir no quotidiano da manhã, na aldeia. Subtilmente a biblioteca ambulante deixa-se mostrar interiormente a quem passa, tentando causar sede, de sensações, de emoções, nas pessoas distraídas no destino que tomam. Refúgio possível naqueles que protestam com o vento. Uma nesga na abertura da porta traseira, abre possibilidades de fazerem parte dos acontecimentos guardados perpetuamente nas páginas das histórias. Das palavras que o vento não consegue arrancar, vestígios imaginários, recordações, depositados no papel sacudido pela ventosidade. O girador de vento defronte dos meus olhos, colhe com sofriguedão o ar, desejoso de prender os leitores, agarrar o tempo destes, para se deslocarem à biblioteca ambulante.