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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

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Dentro da aldeia, próximo da mercearia, vejo um homem a sair desta, apoiando com uma das mãos metade de uma melancia. A maneira delicada a transportar o fruto, pôs-me a imaginar como seria a trazer histórias à biblioteca ambulante. Frutas originárias das ideias dos escritores, de tamanho variável, entre o grande e o pequeno. De formato rectangular, com casca lisa de cores diversas e fina, ou rugosa e grossa. Têm uma polpa muito suculenta, geralmente branca, embora possam surgir na cor amarela e numa mistura das duas. Sementes de cor preta, importantes para serem assimiladas por quem consome estas frutas. Aconselho veemente a não desperdiçarem, há sempre todo o ano, não são criadas em estufas, adaptam-se às estações meteorológicas. Encontram-se gratuitamente nas bibliotecas fixas, ainda melhor, nas bibliotecas ambulantes, em qualquer aldeia, próxima de si. O homem da melancia seguiu o destino dele, no seu lugar, estacionou a carrinha fornecedora da mercearia da aldeia. Foi ver o homem da carrinha a despachar mercadorias para serem utilizadas na alimentação das pessoas da aldeia. Ultrapassada a hora do almoço, no largo onde estão situadas a Associação e o Centro de Dia na aldeia do Souto. O torpor agarrou-me, a todo o custo, continuo a escapar ao adormecimento, apesar do peso dos olhos. Quero ter a vontade dos operários a trabalharem na ampliação do Centro de Dia, infelizmente não há disponibilidade e condições para se manterem os velhos nas suas casas. São estas instituições, as quais, algumas, se debatem por melhores requisitos, a salvação das pessoas idosas. Assim como o salvamento das pessoas nas aldeias, pela tinta do aparo, cada vez que é molhado no tinteiro, e dar continuidade à escrita. Pela faca a descascar a fruta, mostrar a parte carnuda, promover a hesitação e a confusão no primeiro sabor da leitura. As viagens e andanças, com a biblioteca ambulante a desafiar diariamente os que não conseguem tirar a casca, lerem as palavras que o aparo escreve. O rio mantém as margens aprisionadas debaixo das suas águas, amnistiadas, possibilitariam a presença de banhistas nas línguas de terra, asfixiadas no tinteiro artificial do rio. Nas Fontes os leitores, as pessoas, afogaram-se no tempo do confinamento.

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