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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

06.02.26

O homem é imaginável...


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As águas do rio continuam a correr impacientes, fogem da presilha de betão que as seguram constantemente. Não gostam de ficar aprisionadas, amarradas nas depressões de terrenos, cercadas por encostas muito íngremes. A jusante espera-as a liberdade, levando com elas as memórias destruidoras, das vivências, das famílias, das gentes das aldeias da minha terra. A situação difícil da qual parece não haver saída possível, mantêm-se. Há uma interrupção no tempo, nas viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra. Um silêncio, imposto pela incerteza do que poderá vir ainda. Um capítulo por escrever, pensamentos arriscados de mostrar. Nenhum mata-borrão conseguirá absorver totalmente o líquido incolor e transparente que se abateu nas páginas das aldeias da minha terra. Ficará para sempre uma mancha, lembrança tranquilizadora, o pior já passou. Foi assim no passado, continuará nos dias vindouros. A natureza é imprevisível, o homem é imaginável.

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