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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

 

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O vento seca a água da chuva que caiu sobre a estrada nas viagens e andanças, os campos ensopados, a roupa no estendal. O vento é uma máquina de secar memórias, apaga tudo à sua frente, é uma doença, uma borracha não faria melhor. O vento não me deixa voltar ao passado, empurra-me para o futuro. Vou na biblioteca ambulante, com aqueles que presenciaram acontecimentos, lembranças, guardadas para sempre, na escrita, nos livros, cujas páginas amarelecidas o vento não soprou. A biblioteca ambulante, é a caixa, ou a arca, onde as histórias estão em segurança, que se abre sempre quando os leitores têm necessidade de regressar ao passado. É uma máquina do tempo, um portal, se a quiserem apelidar assim. O regresso ao futuro também é possível, a confiança não será a mesma que o passado nos dá. O presente, foi o futuro do passado, poderá dar-nos alguma convicção daquilo que encontraremos nos dias vindouros. A biblioteca ambulante é a estabilidade que precisamos, é o caminhar para a frente. É o vento a levar-nos, do passado ao presente, supondo o que ainda vai acontecer.

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