O rasto das memórias, ...
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A cor branca das casas sobressai na tarde cinzenta na aldeia de Rio de Moinhos, das nuvens a água desaba sem piedade sobre a biblioteca ambulante. O largo está transformado num lençol de água retratando os leitores ausentes, o outono desapaixonado. O rasto das memórias, nas ruas da aldeia, afluem na direcção da biblioteca ambulante, atravessam o largo na corrente rápida e estreita, afogando-se mais à frente no rio. Umas perdem-se para sempre por entre os calhaus e areias no leito, outras conseguem agarrar-se nas histórias, são recursos que permitem a sobrevivência, do passado, das pessoas que gostam de ler. Das aldeias no futuro, para que não se cometam os mesmos erros do presente.