O sol solta-se da névoa rasteira ...
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Na estrada em direcção à aldeia do Vale das Mós o nevoeiro denso tomou conta das viagens e andanças. Não fossem os faróis dos automóveis transitando no sentido contrário, o viajante das viagens e andanças achava que seguia o rasto das guias brancas isolado, a conduzir a biblioteca ambulante. Mais adiante na planície os primeiros raios de sol despontam, formando pequenas clareiras brilhantes quando tocam no orvalho da manhã. O tractor com as suas garras desperta a terra adormecida debaixo do manto de gotículas de água, perturbando o solo e tudo o que o envolve. A palha na manjedoura está pronta para os animais saciarem o apetite. 0 sol solta-se da névoa rasteira e fechada, ao mesmo tempo que o retomar quotidiano das pessoas , outro dia nas aldeias da minha terra. Os velhos comportam-se como os lagartos, expõem-se ao sol defronte das suas casas, caiadas de branco. O brilho das paredes sem manchas, sobressai na rua apertada da aldeia, expressa o cuidado que têm com as suas coisas. Apesar de serem casas exíguas, são limpas de vida fácil, heranças de um passado cinzento, erguidas, à custa de privações e do esforço laboral, do nascer ao pôr do sol. Daqui em diante quem quer pode possuir obras literárias e outras histórias colocadas na biblioteca ambulante, o espaço certo das colecções. Da reunião dos lugares onde sempre sonharam estar, ou das várias maneiras de fazerem algo, aprendendo, viajando à boleia das palavras.