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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

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O sol no largo do Cabrito está forte, as esplanadas dos cafés estão localizadas estrategicamente como as guaritas, vigiam quem atravessa ou permanece no espaço. Assim conseguem ter sempre gente, bebem café, fumam cigarros até à incandescência da chama. Falam sem parar, do desconhecido, das pessoas, olham o tempo a passar sem aproveitar a presença da biblioteca ambulante. Vozes imperceptíveis saem do café, querem fugir dali para fora, agarram-se aos ouvidos de quem por aqui deambula, aos meus, suplicam por tranquilidade. O sol avança, as sombras deslizam como repteis nas paredes imaculadas. A interceptação da luz com os corpos opacos transforma os muros em grandes telas, onde as representações realizadas pelo traço da sombra mereciam exposição em qualquer Guggenheim. O sol trouxe pessoas e poucos leitores, a biblioteca ambulante traz resiliência, empenhada em ser mais aglutinante, ainda continua estranha aos olhos de muita gente. Questionada entre dentes, murmurada, são motivos que lhe dão mais força, demonstram que a diferença é importante nas aldeias da minha terra.