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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

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A neblina esbateu o início das viagens e andanças, como se um lápis a carvão cobrisse levemente a manhã. Não demorou muito ao desenhador, vincar o brilho à obra, tornando-a mais alegre, com cores de fazer arregalar o olhar do bibliotecário da biblioteca ambulante. As cegonhas batem o bico, fazendo saber às outras da presença das histórias. Não sei se é por receio, ou curiosidade, de ficarem para sempre presas nas páginas das histórias, ou quererem fazer parte das mesmas, como personagens principais. O som do batucar dos bicos não cessa, a porta está aberta, é um bilhete para entrarem, e voarem nas folhas brancas. Construírem ninhos de palavras, criarem esperança, e determinação para novos leitores construírem alicerces, desenvolverem saberes. O lápis continua a reunir novas paisagens, ou elementos, de modo a que a folha perca a inocência. A tarde demonstra o que realmente não é, o sorriso alargado, a energia libertada, enganam os mais distraídos, trajando roupa leve, de braços despidos. Mostrando outras maneiras de comunicação, marcados na pele branca, por imagens e palavras. No campo a tecelagem natural acrescenta padrões novos ao tear, no final os tapetes fabricados causam incentivos, e alguma evolução naqueles que os vêm. O desenho chegou ao fim, os lápis estão mais curtos, e a folha ocupada com uma história.