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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

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Ninguém está indiferente ao frio, ainda por cima o mercúrio do termómetro está preguiçoso, não sobe além dos 10º Celcius. A chuva amedrontada, cai silenciosamente sobre o vidro grande da biblioteca ambulante, avisando-me da possibilidade de não ter leitores esta tarde. Não foi o aviso, mas a malícia a mencionar a novidade, a água desejada por todos nós, não quer as histórias a disputarem-lhe o lugar no largo do Cabrito. Há espaço para as duas correntes, pluvial e literária, podem coexistir no mesmo período, neste momento, onde a primeira ganhou vantagem. As ruas no Rossio ao Sul do Tejo estariam desertas não fossem os automóveis a sacudirem a solidão com o ruído dos motores. Onde estão as actividades portuárias, os armazéns associados ao comércio fluvial, os barcos a navegarem de montante a jusante, as mercadorias, as pessoas que fizeram acontecer tudo isto. O tempo não tem compaixão, oprime as viagens e andanças, e as histórias.