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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

O vento glacial ...

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O tempo ingrato empurra-me da cama para enfrentar a manhã gelada, estão 0º graus Celcius no momento de partir para as viagens e andanças. Pensarão como é possível haver leitores aguardando a biblioteca ambulante, com vontade de renovar a leitura, encontrar histórias novas, estar com o viajante das viagens e andanças. Isso acontece, entram enregelados, uns com a cabeça enfiada no capuz dos casacos, cachecóis a proteger o pescoço e outros agasalhos que não deixam entrar o frio. O vento glacial varre as aldeias por onde a biblioteca ambulante leva hoje as histórias, não há lugar nenhum agradável para permanecer, nem o sol que brilha lá no alto tem energia suficiente para aquecer os ossos  debaixo do círculo luminoso. São as viagens e andanças com letras a acontecer independentemente do estado dos elementos atmosféricos, os leitores não estão para lamuriar, demonstram determinação entre estantes cheias de histórias, de um lado para o outro, não se cansam de olhar as lombadas. Abrem, folheiam, lêem um pouco, saltando de capitulo, retrocedendo ao ponto de partida, há gestos impossíveis de descrever os leitores nos momentos que antecedem a escolha das histórias preferidas para acompanha-los a suas casas. Mas relato o orgulho que tenho por eles, pela desvinculação há solidão, há insensibilidade que estavam presos, pela motivação que os traz às histórias.