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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

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Andam inquietos, o mundo está complicado, espiam quem entra no café, um copo oferecido é bem melhor do que largar uns euros. Não está fácil, o dinheiro não estica, o vício fica sempre em primeiro lugar, barbas por escanhoarem, vagabundos assalariados, de um sistema cego. O vento intromete-se nas viagens e andanças, nos leitores da biblioteca ambulante, as histórias chegam apertadas pelas mãos que as trazem, as palavras presas não servem para nada, leram-nas, gostaram tanto e não querem que o vento as leve. Não haveria qualquer contrariedade se estas escapassem entre os dedos das mãos,  demonstrando atenção aos futuros leitores destas, na biblioteca ambulante. Este sufoco continua na aldeia do Pego, as palavras, agora não estão sozinhas, eu também me sinto asfixiado pelo ar quente. Está parado, faz exactamente o que a biblioteca ambulante, permanece na aldeia. Não traz histórias, não faz cá falta nenhuma, ocorre-me muitas vezes este pensamento, aqui no Pego. Apesar de trazer histórias, não tenho quem as prenda com os olhos, com as mãos, os tempos andam extravagantes, trocam as voltas às pessoas, aos meus olhos são forasteiros na sua própria terra. Caminham cabisbaixos, mãos enterradas nos bolsos das calças, nos casacos. Apoiados nas bengalas, de olhares tristes, cansados de olharem para as suas vidas sempre iguais. Percorrem trilhos, no passado foram de terra, adulterados por passagens sem fim, alcatroados, pela  promessa, da chegada da modernidade. Afinal não se adaptam, não querem conhecer as palavras que os despertariam da dormência contínua. Até os mais jovens, a gozarem as férias, alarmam-se, espantados, condicionados pelas redes sociais, com a presença da biblioteca ambulante na aldeia. Não haverá quem os informe sobre a importância da leitura, os políticos, nos programas eleitorais, esta é, ou, mais importante como erguer estruturas, empresas, comércios e serviços de utilidade pública.  A leitura é uma ocupação saudável, é útil à mente, ao corpo, poderia designar-se como Serviço Nacional de Leitura, sem encerramentos das bibliotecas, por ausências de bibliotecários A literatura portuguesa, a estrangeira, ensaios, poesia, ficção, especialidades sempre prontas a satisfazerem os leitores. Outras de uso mais restrito, as ciências, a história, a arte ou a economia, nas estantes ao dispor dos leitores desesperados por aprenderem. Melhor saúde poderíamos ter, se lermos todos os dias, um comprimido composto de palavras, a vida seria mais racional. Vejo os pássaros, levando pendurados nas patas, ramos e fenos, ao encontro de ninhos rarefeitos, por erguer ainda. Capturam oportunidades, capazmente para resolverem o futuro da geração.