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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

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Finalmente chegou o verão no final do verão, nas viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra, a progressão nas distâncias continua, as histórias não se amedrontam com acontecimentos naturais, elas são ocorrências nas aldeias onde permanecem. Na aldeia de Martichel, são alvo dos olhares de quem atravessa a aldeia, de automóvel, a caminhar, abrandam, alguns com modo estupefacto. Interrogam-se, haverá quem leia na aldeia, não terão ofícios por realizar, as hortas para regar, refrescarem-se nas águas do rio Zêzere (Barragem do Castelo do Bode), logo ali atrás, tanto por terminar, têm tempo para leituras?  Mas têm, estes e os outros das outras aldeias, não são muitos, são bastantes que gostam de histórias. Não perdem a estadia da biblioteca ambulante, Procuram-na demasiadas vezes, não se cansam, abusam das histórias, querem sempre mais e melhores. O bafo do vento é quente e seco, a sua força varre as folhas secas no chão do largo, manchas negras na floresta distorcem a paisagem, interrompem a continuidade do bem estar do ambiente. No seguimento da viagem para a aldeia do Carvalhal, com a biblioteca ambulante a soltar os seus cavalos, à beira do asfalto, cachos de uvas sendo arrancados com auxílio de tesouras, surpreenderam o viajante das viagens e andanças. Não é uma vindima precoce, é sim despachar a colheita, antes que o excessivo calor nesta altura, deteriore os frutos da vinha. A Sulamita foi a primeira leitora, ainda os cavalos estavam quentes, quando despontou  junto da biblioteca ambulante.