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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

09 Out, 2019

Onde...

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O sopro do vento, ameaçador   da tempestade que tarda, a recompor os lençóis freáticos situados no interior dos solos, para que os leitos dos pequenos cursos de água voltem a  possuir identidade, as nascentes e poços, a gerar água, para que restitua aos locais apropriados a vida animal. Com 107 433 Km percorridos, envolvendo no seu espaço 458 leitores, sem parar de combater a iliteracia, a biblioteca ambulante está na estrada, nas viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra, onde falta tanto além das histórias, para fazer acontecer. Onde a biblioteca ambulante pode surprimir algumas dessas inexistências, mas ainda não o faz, onde o sentimento de temor para com quem tem domínio, superioridade de administrar, ainda existe na interioridade, nas gentes das aldeias das viagens e andanças. Pressentimentos que não fazem sentido nos dias de hoje, mas que continuam a perdurar desde sempre nos mais humildes e desinformados. Para eles está tudo bem, não protestam,  deixam andar, mas a sussurrar lá vão desabafando com o viajante das viagens e andanças, no início um forasteiro, que nunca desistiu de voltar, agora o confidente para muitos deles. Continuando, no Casal da Bica a quietude da manhã está espelhada no gado, que sem nada para esgravatar na terra árida, recorre á palha para se alimentar. Na aldeia do Vale de Horta os leitores desapareceram, não os vejo, nem os que não lêem andam por perto. Só o carteiro a colocar nas caixas de correio, envelopes, quase de certeza, contendo facturas para pagar.