Onde deslizam mãos nas páginas ...
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Nas viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra, não há monotonia, as flores silvestres abeiram-se da estrada, inundando o destino das histórias, de cores, acenando à biblioteca ambulante. Há curvas e contracurvas em direcção à vila do Tramagal, curvas apertadas, curvas abertas, onde passam as histórias. Onde deslizam mãos nas páginas dos livros, derrapando no corpo de uma mulher, poema, onde perdemos o discernimento, em cada uma das linhas, da silhueta poética. As nuvens despegam-se, deixam ver o céu azul, o livro está preparado, os meninos do jardim escola, vêm atrás uns dos outros de mãos dadas, para não se perderem na história. A professora no livro aberto, lê para eles. As melodias dos pássaros fazem-se ouvir mais alto, escondidos na folhagem das árvores, a voz da professora mantém o timbre, suficiente, prendendo a atenção, do silêncio, dos meninos.. Na vila do Tramagal a borboleta, foi uma marca que trouxe emprego e desenvolvimento, agora é história. A borboleta, deixou de voar como as que encontramos no campo, ou nos jardins, a transportarem pólen. A biblioteca ambulante pode ser uma borboleta, nas aldeias, é a marca da renovação no conhecimento dos leitores. Os leitores que vêm muitas vezes, são favorecidos por profundas mudanças nas suas vidas. A leitura é sempre um novo começo.