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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

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O vale parece saído das páginas de um conto de Natal, as ovelhas a pastarem, os leitores a comerem as letras com os olhos, cobiçam mais palavras novas. Estão o dia todo com o focinho no solo, a procurarem as ervas macias, nunca estão saciadas. A tarde adormece devagarinho, a pastora junta-se ao rebanho com os cães. Os leitores marcam as páginas da história, para não se perderem na noite fria a olharem para o céu estrelado. A lua é a estrela maior, a que emite mais luz, será esta a anunciadora do dia que está ainda para vir. As velas de pano cheias de caracteres do alfabeto avançam impulsionadas pelo sopro do leitor, ansioso pelo resultado das palavras espremidas na pedra cilíndrica. O ruído da mente do moinho, a imprimir as palavras na noite gélida, os murmúrios da ribeira, são interrompidos com a chegada dos reis Magos. Na biblioteca ambulante há oferendas, a esperança aguardada por todos, é a estrela cadente a iluminar as aldeias da minha terra.