Os pontapés nas pedras que ...
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Ainda há verão nas aldeias da minha terra, com as manhãs frias, sem inquietarem muito as pessoas. Os próximos dias vão ser fogosos no período da tarde, embora a impetuosidade solar perca rapidamente a robustez com a diminuição dos dias. Na aldeia do Souto o dia ainda jovem, parece distraído, ou não quer crescer, está delicado. Debaixo do céu azul sem confusões, a biblioteca ambulante sem esperança no surgimento de leitores em ambos os princípios da rua, onde permanece. Outros afazeres chamam-nos, tiram proveito da manhã agradável para os trabalhos agrícolas na horta. Adaptando a rega à realidade dos dias que aí vêm, as últimas colheitas do verão, preparar a terra para o cultivo de inverno. Ajustar parcelas, semeando favas, ervilhas e cenouras, por exemplo. A mercearia situada no centro da aldeia, na rua que leva os fiéis à igreja, e os aldeões às festas no coreto fechou. Na porta um número de telefone, invocando uma conversa para comprar ou alugar o espaço, onde outrora as paredes estavam forradas de fruta, legumes e diversos géneros alimentícios. O quotidiano da aldeia é assim, cheio de caminhos inseguros, não é fácil obter estabilidade, na sinuosidade destes. Os pontapés nas pedras que se atravessam durante a caminhada são muitos, há calçado que não resiste a tanta pancada. Na rua a sombra da parte superior da ramagem da árvore mexe-se como um boneco animado numa tela improvisada. A mulher sem saber por momentos foi figurante neste filme curto. Como surgiu, desapareceu do meu olhar, a cena seguinte não é nova, ouve-se o sussurrar das folhas secas no chão, o ruído do silêncio.