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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Permanecerão a distância...

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Será que o pior ainda está para vir? O fim do confinamento está aí à porta e não só, em muitos lugares a liberdade tomou iniciativa, basta presenciar a quantidade superior de automóveis na estrada a transitar, as pessoas com máscaras colocadas são cada vez mais nas ruas das cidades. A primavera tem-se exibido envergonhada, mas não será sempre assim, o sol quando consegue enganar as nuvens que o tapam liberta energia suficiente para podermos trajar roupas mais frescas, quando o desimpedimento for total, então sim, não há ninguém que trave a onda no sentido contrário, na direção do Atlântico, das albufeiras e praias fluviais. Onde cada canto irá ter corpos brancos imaculados pelo longo inverno pandêmico, a recuperar cor, a libertarem-se das poeiras do tempo do isolamento. Atalhos, trilhos e outros se abrirão para escapar aos olhos atentos da polícia, da GNR, ou mesmo dos militares, que segundo as notícias irão controlar as escapadelas. Só o pensamento terá liberdade, ainda assim torturado todos os dias pela notícia do acontecimento que nos modificou os hábitos. Os arraiais, romarias, festas de verão que ocorrem pelas aldeias do Portugal profundo, sítios que o vírus ainda não conhece, como serão? O vírus é um ser do litoral, das cidades com grande densidade populacional. Onde se acotovelam nos transportes públicos, onde se pisam nas calçadas, onde brigam nos enormes centros de comércio, procurando promoções, nas roupas, no calçado, nos acessórios, angariando protagonismo para posarem nas selfies, terminando a fotografar comidas e bebidas nos restaurantes. O pior estará para vir, a vaidade não será a mesma, a inveja mudará de campo, o consumo refreado, pelas compras eletrónicas, pelo imprescindível, até o trabalho terá outras formas de execução. Entre elas o menor número de colaboradores, de operários ocupando os mesmos espaços. A higiene diária, passará a ser mais assídua,  permaneceremos mais tempo debaixo do chuveiro, substituindo roupas usadas por outras lavadas, tudo isto como se a água, incluindo as tarifas dos resíduos, fossem acessíveis nos tempos atuais.  Permanecerão a distância, a saudação gestual, oral e o vírus.

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