Quem sabe, na aldeia todos sabem, ...
historiasabeirario


A biblioteca ambulante estaciona nos lugares habituais sem parar o motor. Rapidamente abre-se a porta grande, para se voltar a fechar, um leitor ou leitora entram. O ar artificial é fresco, um alívio para os leitores, o melhor que o viajante das viagens e andanças faz para realizar o empréstimo das histórias. As reclamações não param, sobre a austeridade da temperatura nas aldeias da minha terra, nos últimos dias. O pior ainda está para vir, na próxima semana, segundo as notícias meteorológicas, a temperatura será mais elevada. Após os leitores saírem, levando histórias novas, ao encontro do maldito calor, apressados para suas casas, o viajante das viagens e andanças, na biblioteca ambulante, põe-se ao fresco, na sombra de umas amoreiras. A distância do lugar do costume não é considerável, mas as histórias não se avistam imediatamente. Quem sabe, na aldeia todos sabem, se quiserem ler, caminham um pouco ao encontro da leitura. Só mesmo os que gostam muito de ler, vêm ter com a biblioteca ambulante, os mais preguiçosos deixam escapar a oportunidade para a visita seguinte. Desenrascamos-nos, de uma maneira ou outra para conseguirmos proteger-nos da violência do sol, sem nunca nos desencontrarmos-nos, nos momentos, na necessidade de ler, de estar presente quando precisam da biblioteca ambulante. Na sombra destas árvores seculares, no nosso país, as histórias ganham vitalidade, força muscular, para retrocederem a um dos alicerces da escrita. A casca das amoreiras foi utilizada para fabricar papel, e não é, nos dias actuais, nas viagens e andanças com letras, as histórias muitas vezes se abrigam na sombra das árvores, que proporcionaram há muitos anos atrás, o desenvolvimento da escrita. Adaptabilidade, para as histórias percorrerem oceanos, desertos, chegarem ao mesmo tempo de todas as outras, aos leitores.