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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paulo Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paulo Auster

13.Out.18

Refugiam-se nas páginas

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A biblioteca ambulante hoje não irá ao encontro dos aldeões, não percorrerá as aldeias, mas como o autor escreveu " afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios" , andei nas sebentas sondando rabiscos, impressões escritas há algum tempo. Encontrei narrações de viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra, onde irei voltar a escrever uma dessas viagens. - O frio voltou finalmente, na aldeia da Chaminé os poucos aldeões que andam na rua, protegem-se com agasalhos, as mãos abrigam-se nos bolsos das calças e casacos. Os meus dedos movimentam-se com dificuldade, os pés dentro das botas não os sinto, dois cães vagueiam sem saber para onde ir... - não termino o relato, à minha frente a janela dá-me a liberdade de ver o cabeço, as muralhas do outeiro mantem-se altivas, no século XIV por ali estacionaram as tropas comandadas pelo Mestre de Avis com o Condestável. Acamparam antes de prosseguirem para a batalha de Aljubarrota, onde a pesada derrota imposta ao inimigo, os livros não se cansaram de narrar. A tarde tornou-se cinzenta, a oscilação das copas das árvores é mais violenta, a tempestade começa a dar nas vistas. Estou despreocupado, as histórias estão abrigadas, os seus leitores certamente refugiam-se nas páginas de outras que a biblioteca levou.