Regressar às construções alicerçadas ...
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A quantidade de chuva caída nas aldeias da minha terra devia ser armazenada em depósitos que não deixassem passar a água. Salas, ou cisternas, onde se encontra água para utilizar na rega dos campos, dar de beber a quem tem sede, repositórios de águas pluviais. Bibliotecas com água, ao serviço das populações, dos animais domésticos e selvagens. Quando actualmente o assunto mais corrente é a seca que o planeta atravessa, a escassez de água. Faz sentido aproveitar aquela que ainda cai. Uma dádiva que só as bibliotecas conseguem dar continuidade. A sobrevivência de todos nós está nestes edifícios, guardiões das águas vindas das nuvens, dos trilhos, cheios deste líquido incolor e transparente, que rasgam a charneca. Das nascentes, debaixo da terra, onde rompe cada vez menos. Do pensamento racional da humanidade, oriundo na antiguidade. Regressar às construções alicerçadas na água, como se fez nos primeiros tempos, essenciais para a irrigação e abastecimento urbano. Resistentes à passagem do tempo, demonstrando a importância de recolher e depositar a água e o pensamento.