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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

01.07.25

Rodeado de páginas amarelecendo ...


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A manhã tem o diabo entranhado, talvez tenha caído do céu, ande a castigar almas nos meandros do rio, nas viagens e andanças. Em Rio de Moinhos, há quem arrisque a desafiar o sol abrasador, pena, não serem leitores em direcção à biblioteca ambulante.  Alguns deles vão surgir de um momento para o outro, não será o forasteiro, Lúcifer, que os impedirá de saírem de suas casas. Estão protegidos pelas histórias, armas defensivas, que agarram a malícia, personificada no sol, a incontinência, da onda de calor, a bestialidade, no confronto com os leitores. Na aldeia da Amoreira, a biblioteca ambulante permaneceu como motor a funcionar para manter o ar fresco, enquanto o leitor seleccionava a história que o seduziu. No exterior o diabo veste "Prada", não é fácil viver em comum, quando este teimosamente continua a pôr em brasa as aldeias da minha terra. Há uma disputa pelas sombras, verifico a competição, pois a biblioteca ambulante é uma das envolvidas. Umas vezes consigo estacionar nos espaços, privados da luz directa do sol, noutras, encontro a árvore que pretendia, com a sua sombra ocupada. Quando tal acontece, é como se tivesse no interior de um forno assando lentamente, rodeado de páginas amarelecendo no fogo que se prolonga no tempo.