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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

São histórias a acontecer

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Está calor na aldeia dos Casais de Revelhos, onde a biblioteca ambulante permanece nas viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra. Glu...Glu...Glu...é o som mais ouvido no espaço da antiga escola, proveniente de vários perus que por aqui deambulam, esgravatando a terra, ansiosos por encontrar alguma suculenta minhoca ou outro alimento que os faça regozijar. Leitores é coisa rara por aqui, habitualmente só há um apaixonado pela leitura, ainda não surgiu, mas ainda há muito tempo para que o mesmo apareça com as histórias para devolver. Os pássaros também marcam presença, com o seu chilrear permanente, são sons rurais, das aldeias, são histórias a acontecer. Uma vez por outra, espaçadamente, um galo canta, argumenta fora de horas, ou talvez não, convence os aldeões para se dirigirem à biblioteca ambulante que os aguarda com histórias de encantar. Os cães ladram em uníssono, são latidos de tristeza, de aprisionamento, estão nos quintais, agrilhoados, por correntes com argolas intercaladas, ligadas umas às outras. Guardam as moradias, as hortas, os espaços privados, têm falta de liberdade, de vaguear nas ruas desertas, correr sem destino, de rebolarem nas ervas frescas e macias. Sentem a ausência dos donos, da inexistência de carinho, têm saudades da alegria da aldeia.

 

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