Sem desviarem o rosto ...
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Hoje, a tarde pode servir de modelo a todas as outras no verão, o que não acontece infelizmente pela alteração climática. Está agradável, o vento é delicado, o calor suportável, a esplanada do café, abastada de pessoas. As vozes ouvem-se na biblioteca ambulante, não muito longe do lugar, dos chapéus de sol, gigantes, para proteger os clientes. Na rua, transitam de bicicleta, de trotineta, a caminhar, vejo-os a circular na mecha, com os olhos fixos na rua. Sem desviarem o rosto para a biblioteca ambulante, seguem destinos diferentes, procuram histórias, excepto, as histórias da biblioteca ambulante. São parte das Histórias à Beira Rio, sem o saberem, personagens anónimos, gente da minha terra. Combustão para escritas, alicerces de palavras, inspiradores de narrativas nas aldeias da minha terra. A esplanada, a pouco e pouco deixa fugir os frequentadores, como a água se esgota num tanque, quando esta é necessária para regar a horta. O sol inclina-se no sentido ocidental, estranho, não apareceu até agora um leitor. Na vila não costuma acontecer ausências de leitores. Ainda por cima a tarde tão amável com as pessoas. O espaço no interior da biblioteca ambulante está convidativo para entrarem, abraçarem as histórias.