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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Sempre inclinadas ou fora do lugar...

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A manhã está resmungona em Alferrarede Velha. A Maria aproximou-se com ambas as mãos segurando sacos cheios, massas, enlatados e pão foram os que se deixaram ver. Disse que ia a casa e já regressava para devolver as histórias. Olhei,  a Maria balanceava a sua pequena estrutura enquanto caminhava na direcção das histórias, trazia outro saco preso numa das mãos, continha as histórias lidas que seriam comentadas logo que entrasse na biblioteca ambulante. Gostei desta, esta não teve um final feliz, aquela, estava a ver que não a conseguia  terminar... São quase sempre as palavras que a Maria diz, as histórias que lê são sempre rebuscadas oralmente, nunca lhe falta a vontade de alterar o destino aos acontecimentos. O vento tem momentos que expressa agressividade, não permite que o sol exerça o direito  que se impõe à divisão do ano que atravessamos. Sem preferências as histórias só precisam de leitores para se sentirem úteis a levar mensagens, empreendimentos imprevisíveis, encanto, nas palavras expostas nas folhas sem fim. Agarradas nas brochuras coloridas, sempre inclinadas ou fora do lugar, pelas sucessivas curvas, paragens repentinas e outras situações onde as estradas que trazem a biblioteca ambulante às aldeias obrigam  a submeter o viajante das viagens e andanças.