Sente-se sozinha estando acompanhada ...
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Ouvi-a a lamentar-se na rua, depois foi aproximando-se da biblioteca ambulante, falando em voz alta.- Ohh! Sr, João! Ohh! Sr. João! A minha filha morreu. Fiquei totalmente embaraçado, não esperava a entrada sobressaltada da leitora. Com os olhos lacrimejantes lá foi relantando o sucedido com a sua filha. Sabia desta morte, foi comentada na comunidade, publicada nas redes sociais, não sabia a relação de parentesco com a leitora. O primeiro momento foi de segurar a comoção, até aparecer a oportunidade para abrandar ambas as emoções. Tranquilizando a leitora com palavras motivadoras, sem saber a dor de perder assim um filho. Mais calma, olhou para as histórias, pedindo o que deveria levar para casa. Avançou na direcção das revistas, foi a primeira escolha, aquelas que espiam a vida alheia das figuras públicas. São só para passar a vista por cima, ao deitar-se, disse, adormecer sem pensamentos tristes. Sente-se sózinha estando acompanhada, com notícias, artigos tecendo intrigas. Podia ter sido um romance, ou outro género literário qualquer, não importa, a vida no interior das histórias, permite-nos conhecer, ideias, caminhos, personagens diferentes. Se gostarmos, seguimo-los noutras aventuras, viajamos com eles, damos a volta ao mundo. A biblioteca ambulante também é um lugar onde se guardam sentimentos penosos, não é só boa disposição. Pode ser um refúgio, a gruta para se protegerem, ou tranformarem-se, um sítio especial e mágico.