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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Só o tempo passa pelas suas aberturas...

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O largo está ermo, ouço os pássaros,  mas não consigo vislumbrar vivalma. O vento também se faz ouvir no alcatrão quente, um painel para os traços grossos, não passam de sombras dos fios que nos permitem comunicar, como o sombreado dos prédios que ladeiam um dos lados da rua que desemboca na área onde cada vez mais só o ar a ocupa. A chaminé quieta sobre um telhado desgastado, onde só o tempo passa pelas suas aberturas, parece querer dizer que a estrutura onde está acomodada já foi um lar. Ali, no interior das quatro paredes, ouviram-se risos, lamentos, vozes de quem se levantava com o sol e se deitava com ele. Sobeja a terra e a pedra, a arte da alvenaria, como esta, há muito mais pelas aldeias da minha terra, um legado deixado às gerações futuras. A sucessão não foi correspondida, o tempo de um momento para o outro ficou demasiadamente apressado, a alternativa de partir foi mais alta.

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