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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

A ramagem das tílias está suficientemente frondosa para dar existência à sombra. É nesta que a biblioteca ambulante se esquiva dos raios solares, quando permanece na aldeia de Martinchel. As flores destas árvores ganham força e impressão visual, a progressão dos dias trará cor às flores. Do mesmo modo, conduziram uma leitora nova, destacando-se, assim, das outras pessoas da aldeia. Assumindo-se como uma flor da árvore, cujos frutos são as histórias, a semente que um dia irá (...)
Há uns dias atrás em conversa com um leitor a propósito dos tempos que testemunhamos actualmente, sobressaiu o acontecimento do 25 de Abril de 1974. Perguntei, o que fazia nesse dia, que mudou o paradigma político e social até então. Respondeu que estava a trabalhar, na fundição do Rossio ao Sul do Tejo. Soube da notícia, da queda do governo de Marcelo Caetano, nesse dia, até de madrugada não tirou os ouvidos da telefonia. Na fábrica o dia de trabalho decorreu normalmente. O (...)
Não consigo evitar de abrir a boca involuntariamente, o bocejo está sistematicamente a assaltar-me. Não estou aborrecido, talvez sejam efeitos dos comprimidos para atenuarem a constipação. Arrebatou-me no fim de semana, e está difícil de expulsar. Acontece o mesmo com o sol, depois de uma manhã cheia dele, foi tomado ao início da tarde por uma espessa camada de nuvens. De repente, a tarde transformou-se, vieram leitoras com ânimo, contagiaram o viajante das viagens e andanças (...)
A chuva premeia a ousadia dos automobilistas, fraccionando a intensidade  da queda na estrada, nas viagens e andanças. Há momentos em que a quantidade da pluviosidade impõe um comportamento mais atento em determinados caminhos, ao encontro dos leitores. O mesmo cuidado têm alguns deles, ficam em casa, não se querem molhar, a leitura pode esperar para a próxima visita da biblioteca ambulante. Também os há audazes, sem medo da bátega, impossibilitando-lhes a manutenção das (...)
Cruzei-me com o peixeiro a meio da viagem para a Aldeia do Mato, a biblioteca ambulante e a carrinha do peixe são velhos conhecidos nas estradas das aldeias da minha terra. O peixeiro e o viajante das viagens e andanças incansáveis à procura de fregueses, o primeiro a buzinar uma melodia conhecida de todos, alertando as populações da sua aproximação, o segundo no veículo de cor amarela,  com as flores e os monumentos expressados na carroçaria, manifestando a chegada das (...)
O dia rompeu nublado, maniatou as viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra, por um bocado estacionei o raciocínio. O destino da biblioteca ambulante hoje de manhã executei-o ontem, sem problemas rumei à manhã contrária a matutar o sucedido. As intermináveis viagens a levar histórias trazem discrepâncias na sucessão dos itinerários. Desatei a situação, sem questões os leitores lá estavam para ler o jornal, levar uma história, conversar exclusivamente. A (...)
10 Jan, 2023

Mais próximo ...

Transitando numa das estradas que leva a biblioteca ambulante ao encontro dos leitores observo ao longe alguém caminhando na berma da estrada de braço erguido com a mão oscilando de um lado para o outro em saudação. Mais próximo reconheço um leitor, efusivamente não parava de acenar à biblioteca, abrandei retribuindo o gesto simpático. Uma chuva miudinha apoderou-se à chegada em Martinchel, a perseverança da água inunda a tarde, não impede as pessoas de realizarem trabalhos (...)
O frio não demove a chuva mesquinha a cair obstinadamente nesta manhã na Aldeia do Mato. Sem abrir as portas da biblioteca ambulante espero pacientemente por leitores aventureiros. Estou  como o pescador lá em baixo no rio, aguardando sem perder a calma que o peixe caia na armadilha presa no anzol. Não têm conta os lançamentos da linha de pesca efectuados para a água até o peixe ser apanhado nas falsas afirmações do isco. No interior da biblioteca, sem linha, com a chuva a (...)
Os panos dos chapéus de sol esvoaçam como se quisessem levantar voo, como muitas pesssoas da aldeia o fizeram. A biblioteca ambulante vai pousando aqui e ali, nas aldeias, umas com leitores, noutras nem por isso, um, dois, são os números que fazem levantar voo as histórias. Empurradas pelo vento que nasce na charneca, chegam às partes mais distantes do território que abrange o itinerário. Há dias de sorte, onde o tempo é apressado, os leitores, a leitura comentada, conversa (...)