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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

01.Ago.22

Melhor união não há...

historiasabeirario
O vento trouxe-me de regresso às viagens e andanças, voltar a ter a presença dos leitores, as pessoas que se aproximam a saudar o retorno da biblioteca ambulante às aldeias. De um momento para o outro o pequeno balcão de atendimento quase não tinha espaço. A quantidade das histórias colocadas pelos leitores, após este longo intervalo, formava uma construção em altura em que as frases estavam unidas por palavras e estas mantinham o equilíbrio com a afinidade que tinham com as (...)
12.Mai.22

as histórias geradas...

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A atmosfera campestre está deliciosa esta manhã na aldeia da Foz, um vento suave trouxe tranquilidade às viagens e andanças. O calor agonizante dos dias anteriores não se faz sentir, pelo menos neste período do dia. Após a chegada a primeira ocupação do viajante das viagens e andanças foi ir ao pomar colher laranjas, convidado pela proprietária. Caminhando com atenção entre as hortaliças aprumadas na terra impaciente por água, segurando uma caixa nas mãos, pus-me debaixo (...)
04.Abr.22

O dia está enrolado...

historiasabeirario
O assobio do vento não encanta, dançam as árvores, cabelos despenteados, estão os das mulheres que entram de rompante na biblioteca ambulante.  Caminham mais depressa,  empurradas pelo vento que não deixa descansar a roupa nos estendais. Rapidamente compõem os cabelos como podem, passam uma mão pela cabeça, depois a outra pressionando mais, esmagando o pelo que encobre a cabeça. As histórias vêm encostadas ao peito, apertadas pelo braço, são preciosas não podem ser levadas (...)
16.Mar.22

Abrindo ao meio...

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Sem usar óculos de sol, tudo o que observo é como se os tivesse colocado para proteger a vista dos raios solares. Assim está o dia em tons de castanho, na estrada, nas aldeias a cor pardo-acinzentado envolve a região. Levar histórias nesta atmosfera poeirenta não é diferente de as transportar nos dias sem terra no ar, as mudanças estão nas conversas dos locais, as poeiras são agora as protagonistas. Entram na biblioteca, olham para o exterior, como que a ler as costas de um (...)
14.Set.21

De outra força moral

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Debaixo da chuva, com o barulho ensurdecedor dos pingos grossos a soar nos ouvidos do viajante das viagens e andanças, assim foram as deslocações no primeiro período do dia pelas aldeias da Foz, Água Travessa e Chaminé. Apesar da tempestade que se abateu, os leitores apresentaram-se com as histórias para devolver, abrigados no interior da biblioteca ambulante, dialogavam, adoptando novas histórias para lerem até ao próximo regresso às suas aldeias. Agora, de tarde, o sol é um (...)
10.Mai.21

O acanhamento da manhã...

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  O acanhamento da manhã não impediu a biblioteca ambulante de rumar às aldeias da Foz, Água Travessa e Chaminé. Debaixo de nuvens ameaçadoras, atravessando campos cultivados, nos quais pequenas plantas ganham altura motivadas pela água que cai. Peregrinos puxados pela fé  caminham para Fátima na berma na estrada. Foi num abrir e fechar de olhos que o viajante das viagens e andanças, concluiu o trajecto. Emoção, espanto, foi o sentimento de quem chegou e de quem estava, (...)
17.Dez.19

Com o frio à boleia

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A alegria do dia contagia as pessoas na rua, assim como irá corromper as viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra, juntamente com as histórias às povoações da Chaminé e Água Travessa. Absolute Beginners, de David Bowie acompanha o viajante das viagens e andanças, com as memórias a invadirem a viagem pelo amplo vale, pouco antes de outra aldeia, Bemposta. Na Chaminé ainda as portas se abriam, imediatamente uma mulher apareceu, surpreendendo o viajante (...)
22.Ago.19

Árvore que colecciona histórias

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Andavam por perto, gargalhadas, gritos estridentes, a brincadeira estava no auge. Acenei com as histórias. Não sou muito de ler, diz um deles. Convidei a entrarem,  para conhecerem a biblioteca ambulante. Demoraram, finalmente surgiram, rostos escarlates, pequenss linhas de suor escorriam na fronte de todos eles, o primeiro gesto foi logo agarrar nas histórias. Tem o Diário de um banana? Questiona o que não é muito de ler, sucessivamente os outros seguiram-no determinados a (...)
22.Ago.19

O mesmo propósito

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Numa estufa, com o céu pontilhado por nuvens e fundo de um azul desfalecido, a biblioteca ambulante com as histórias ruma no sentido da aldeia da Água Travessa nas viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra. Com palavras refrescantes na dianteira, interrompo extemporâneamente a viagem, o "Carvoeiro" vagaroso rasga a EN2 com destino a Sines, diáriamente pouca terra para cá, pouca terra para lá. É assim desde os meados dos anos oitenta, abstecendo a Central (...)