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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

18.Jan.23

A leitura não é estranha ...

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As cegonhas perfilam-se nos postes destinados a sustentar os fios das telecomunicações ao longo da rua principal da aldeia, aos pares, nos ninhos, batem as mandíbulas rapidamente. Um sinal de alerta, um aviso da presença da biblioteca ambulante à população, presumo, seria bom se assim fosse. Habituadas à  passagem das histórias, lentamente de uma ponta à outra da rua, na qual estaciona defronte do mini-mercado ligado ao único café da aldeia. Os homens encostados ao balcão (...)
21.Nov.22

A fidelidade também a tem ...

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As cegonhas regressaram, é impressionante observa-las equilibrando-se nos ninhos situados no cimo dos paus que ajudam a passar os fios da electricidade, das comunicações, cravados no solo. Nas chaminés, nas torres sineiros das igrejas, à beira da estrada, no campo juntamente com os animais procurando comida, chegam de África, atravessam o Sahara a desejar que os ventos no estreito de Gibraltar estejam de feição para o transporem até às aldeias da minha terra. São viajantes do (...)
13.Out.22

Pradarias de letras sem fim

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É chocante observar nas estradas que conduzem a biblioteca ambulante nas viagens e andanças pelas aldeias da minha terra, a mortalidade de pequenos animais silvestres, desventrados na estrada vítimas de atropelamento. Adicionando outros de maior estatura que galgam de um lado para o outro repentinamente em busca de comida, fugindo da terra queimada. Um ritmo acelerado, que acabará por ter consequências nos ecossistemas. Brevemente só os encontraremos nas fábulas e outras (...)
07.Set.22

Onde as histórias são testemunhas

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A estrada me leva e me traz, não cálculo os quilómetros percorridos com sol e chuva, toldado nas névoas matinais, fatigado no crepúsculo. Uma estrada fabulosa, cujo início em Trás-os-Montes se prolonga até ao Algarve. Nos dois sentidos gente ousada, determinada a transpor a distância.  Nas motas, nos automóveis em bicicletas, a pé, estes exploradores, talvez um dia criadores de histórias de viagens, encontram, e conhecem outras tantas nos lugares, aldeias e cidades (...)
19.Ago.22

Não querem aprender com a leitura...

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O sol maltrata o viajante das viagens e andanças no bairro da Encosta da Barata. Ninguém se atreve expor o corpo para se dirigir às histórias, não querem aprender com a leitura. Houvesse curiosidade, leriam sobre a perigosidade da exposição ao sol. A leitura ensinava-os a protegerem-se, atrever-se-iam a aproximar-se da biblioteca ambulante para outras leituras. Bem os vejo a caminharem na direcção do café, ar condicionado, cerveja fresca, conversa gratuita, bem melhor do que (...)
01.Ago.22

Melhor união não há...

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O vento trouxe-me de regresso às viagens e andanças, voltar a ter a presença dos leitores, as pessoas que se aproximam a saudar o retorno da biblioteca ambulante às aldeias. De um momento para o outro o pequeno balcão de atendimento quase não tinha espaço. A quantidade das histórias colocadas pelos leitores, após este longo intervalo, formava uma construção em altura em que as frases estavam unidas por palavras e estas mantinham o equilíbrio com a afinidade que tinham com as (...)
12.Mai.22

as histórias geradas...

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A atmosfera campestre está deliciosa esta manhã na aldeia da Foz, um vento suave trouxe tranquilidade às viagens e andanças. O calor agonizante dos dias anteriores não se faz sentir, pelo menos neste período do dia. Após a chegada a primeira ocupação do viajante das viagens e andanças foi ir ao pomar colher laranjas, convidado pela proprietária. Caminhando com atenção entre as hortaliças aprumadas na terra impaciente por água, segurando uma caixa nas mãos, pus-me debaixo (...)
04.Abr.22

O dia está enrolado...

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O assobio do vento não encanta, dançam as árvores, cabelos despenteados, estão os das mulheres que entram de rompante na biblioteca ambulante.  Caminham mais depressa,  empurradas pelo vento que não deixa descansar a roupa nos estendais. Rapidamente compõem os cabelos como podem, passam uma mão pela cabeça, depois a outra pressionando mais, esmagando o pelo que encobre a cabeça. As histórias vêm encostadas ao peito, apertadas pelo braço, são preciosas não podem ser levadas (...)
16.Mar.22

Abrindo ao meio...

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Sem usar óculos de sol, tudo o que observo é como se os tivesse colocado para proteger a vista dos raios solares. Assim está o dia em tons de castanho, na estrada, nas aldeias a cor pardo-acinzentado envolve a região. Levar histórias nesta atmosfera poeirenta não é diferente de as transportar nos dias sem terra no ar, as mudanças estão nas conversas dos locais, as poeiras são agora as protagonistas. Entram na biblioteca, olham para o exterior, como que a ler as costas de um (...)
14.Set.21

De outra força moral

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Debaixo da chuva, com o barulho ensurdecedor dos pingos grossos a soar nos ouvidos do viajante das viagens e andanças, assim foram as deslocações no primeiro período do dia pelas aldeias da Foz, Água Travessa e Chaminé. Apesar da tempestade que se abateu, os leitores apresentaram-se com as histórias para devolver, abrigados no interior da biblioteca ambulante, dialogavam, adoptando novas histórias para lerem até ao próximo regresso às suas aldeias. Agora, de tarde, o sol é um (...)