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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

03.Ago.22

Flores ou poemas...

historiasabeirario
Há dias que a construção de uma história é laboriosa, enfrentar a ausência do tema, conceber de forma diferente o texto, palavras que não saem, frases escritas para serem imediatamente eliminadas. É como conduzir um automóvel aos solavancos. arranca e para até descobrir a velocidade acertada. Podia começar a escrever que a manhã foi macia demais para o mês em que estamos, quase que chovia, mas não passou disso. Ou então a aldeia da Amoreira onde a biblioteca ambulante (...)
16.Mai.22

Que sejam inseparáveis ...

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Alguns pingos de chuva surgiram no vidro grande da biblioteca ambulante, no exterior possivelmente não os sentiria, tal não é o impacto dos mesmos, nem os oiço a bater. Um manto de nuvens cobre densamente a aldeia da Amoreira e tudo o resto à sua volta. Os ramos das amoreiras, cheios de frutos, movimentam-se de um lado para o outro, como tivessem a acenar às histórias. A opulência destas árvores cria sombra suficiente para abrigar os enredos da aldeia quando o sol está no auge, (...)
10.Fev.22

Quantas vezes...

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A temperatura amena retirou o velho de sua casa. O banco instalado no pequeno largo da aldeia da Amoreira é o mais apetecido logo depois do almoço. O sol dá asas à sua alegria neste espaço insuficiente aos automóveis que circulam. A biblioteca ambulante e uma ou outra viatura para descargas de mercadorias é o que basta para estreitar o local. Exceptuando um ou outro, as histórias para estes daqui são menos desejadas que o sol, o banco de um modo geral tem mais gente a ocupa-lo (...)
26.Ago.21

Só um gato...

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O café no pequeno largo onde tudo acontece, inclusive local de estacionamento da biblioteca ambulante, está encerrado. As férias de alguns habitantes da aldeia da Amoreira ainda decorrem, com isto o núcleo está vazado de gente. Só um gato se atreveu a espreitar, um enigma a tarde de hoje na aldeia, uma coisa puxa a outra, sem o princípio da corrente, não sei se a extremidade terá sucesso. Os diversos diálogos, junto da porta do estabelecimento ao mesmo tempo que consomem (...)
25.Jun.21

As histórias ocupam...

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A temperatura (42°) no interior da biblioteca ambulante não demove o viajante das viagens andanças de perder a confiança da presença de leitores na aldeia da Amoreira. No pequeno largo, onde as histórias ocupam a quase totalidade do espaço, lugar de acontecimentos, não há gente. Escondidos da violência do sol, resguardam-se na frescura das suas casas, só o João arriscou, trouxe histórias lidas, ainda por ler. Prolongou leituras e levou outras. 
12.Mai.21

Os que querem ser leitores...

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O início dos dias nas aldeias, tem sido a telefonar aos leitores, informar que a biblioteca está na aldeia, há lugares em que a informação corre oralmente, as histórias dão nas vistas, não é comum escritores, poetas, actores, músicos, frequentarem aldeias e sítios esquecidos de todos nós. Na aldeia da Amoreira após o contacto telefónico, um, dois, leitores surgiram com histórias para devolver, na rua, no interior do carro, com a mão levantada, para o viajante das viagens e (...)
10.Mar.20

O dia seguinte virá mais depressa

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  A temperatura trepou mais um pouco, o vírus conquistou mais território, nas viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra, a normalidade prevalece por enquanto. As histórias ao contrário da bactéria não evoluem tão depressa para mágoa do viajante das viagens e andanças. Ainda assim a pouco e pouco conseguem atrair mais leitores, se a leitura expulsasse de vez este organismo microcóspico, a biblioteca ambulante não teria as estantes repletas de histórias, (...)
19.Dez.19

A ousadia das letras

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  A chuva cai sem parar, tem momentos de alguma violência quando empurrada pelo vento, as viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra, vão ter de encarar a Elsa. Não sendo uma leitora, a Elsa é uma semeadora de ventanias e águas, que não trará apaziguamentos esta tarde às histórias nas aldeias da Amoreira e Rio de Moinhos. Na Amoreira a biblioteca ambulante está constantetemente a ser sacudida pelo vendaval, a Carolina entrou como se tivesse sido disparada (...)
02.Out.19

Com voz arreliada

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  Concluo o itinerário mais curto das viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra,  ainda o largo  não tem o rebuliço normal das tardes, no interior do café, na padaria e no mini-mercado. Nem  pessoas a cruzar neste espaço, palco de tantos momentos na aldeia da Amoreira, ao sair da biblioteca ambulante, subitamente, uma mulher de braços estendidos segurando numa das mãos histórias para devolver. Com voz arreliada, um pouco magoada diz, telefonaram (...)
17.Jul.19

Impressos em linhas imaginárias

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  A tarde está quente, no ar paira uma agitação, vozes a soar mais alto do que o habitual, as mulheres desenquietadas, seguram sacos de pão, ao mesmo tempo que caminham apressadas num sentido e noutro. Ouço o som dos motores de helicópteros, chego lá, provavelmente um incêndio irrompe perto da aldeia. Estou nas viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra, na Amoreira. No exterior da biblioteca ambulante,  afastados, um grupo de aldeões, erguem os rostos na (...)