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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

04.Ago.22

Quem diria...

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Quem diria que o grande plátano na sua sobrançaria tem a dignidade de abrigar histórias na aldeia do Vale Zebrinho. Árvore que viu, e ouviu histórias do passado da sua aldeia, continua acolhendo as do presente, conseguindo ainda abrigar as histórias dos outros. Aqueles que não estão presentes no momento, mas que regressam sempre na biblioteca ambulante. Esta, incansável tem pois no plátano o cais, pelo qual as histórias do universo saem. Assim quem por aqui atravessar pode (...)
29.Jun.22

Sempre inclinadas ou fora do lugar...

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A manhã está resmungona em Alferrarede Velha. A Maria aproximou-se com ambas as mãos segurando sacos cheios, massas, enlatados e pão foram os que se deixaram ver. Disse que ia a casa e já regressava para devolver as histórias. Olhei,  a Maria balanceava a sua pequena estrutura enquanto caminhava na direcção das histórias, trazia outro saco preso numa das mãos, continha as histórias lidas que seriam comentadas logo que entrasse na biblioteca ambulante. Gostei desta, esta não (...)
06.Jun.22

O vento está enamorado...

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  A história espreita a tarde a tentar alcançar quem atravesse a rua. Mas só o vento está na aldeia, traz histórias dos lugares por onde passou. Pôs as árvores a dançar no vale, os ramos rodopiam de um lado para o outro, como as saias das bailarinas. O vento dançarino dança com todas as árvores ao mesmo tempo, sussurando com uma, com outra, elas ficam  tontas com o que lhes diz, mas também do fandango improvisado ficam sem tino. O vento está enamorado, as folhas das (...)
07.Abr.22

Leria em voz alta...

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A pastora grita com as ovelhas que não lhe obedecem, impropérios ecoam pelo vale adiante, esbarrando na charneca. O gado encontrou pouco depois de ter transposto a estrada a erva tenra, estacando logo aí, em vez de continuar a correria para o pasto. Berrando alto e a bom som, manejando o cajado numa das mãos de um lado para o outro, a pastora só conseguia fazer-se ouvir pelo viajante das viagens e andanças, que no princípio se assustou com tamanha ofensa aos animais. Estes não (...)
21.Mar.22

A primavera e a poesia...

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A primavera e a poesia nem sempre têm harmonia, renascer nos resíduos do inverno, reunir palavras segundo certas regras, das cinzas do tempo actual, também acontece. Fixar árvores, raízes brancas, pretas, amarelas é uma atitude para a qual se devia ter a percepção na existência da diferença e iguais no viver, o que na  inconsciência de alguns continua a ser inflexível. Um dia de viagens e andanças marcado pela esperança, de não perdermos a vontade de termos um lugar melhor (...)
25.Jan.22

Felizmente a leitura...

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  A biblioteca ambulante mais parece o aparo de uma caneta a escorregar nas folhas de papel. Serpenteando a estrada que atravessa a charneca, a caneta não se cansa de enfeitar com palavras as folhas, deixando um rasto de histórias para trás. Continuando sem parar de preencher com tinta, folhas que se vão sobrepondo umas às outras, com margens ilustradas por rebanhos que se alimentam da erva fresca. Não há nada melhor para reduzir as tensões do que ser personagem nestas folhas (...)
28.Jun.21

Uma sucessão....

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Corre uma aragem que estimula as pessoas, surgem na biblioteca ambulante sorridentes, determinados a pesquisar em histórias que os transportarão em viagens intermináveis, aventuras de encher a barriga, de gastronomias diversas, paladares e odores que os deixarão ocupados de curiosidade enquanto não provarem. Na boleia da brisa as viagens e andanças continuaram, no período da tarde houve surpresa, a inclusão de um novo leitor, foi um imprevisto saudável na aldeia do Vale Zebrinho. (...)
02.Jun.21

Somos nós quando nos lembramos dos que permanecem

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" Vou-te levar nas palavras, a máquina não para ", são letras de uma composição musical, que vestem na perfeição a biblioteca ambulante. Nesta errância por estradas que atravessam aldeias e lugares, é o que trago e levo diariamente das pessoas distantes do aglomerado populacional, que é a cidade e o seu limite urbano. Palavras resignadas, de alegrias, de tristezas, do cansaço de uma vida a trabalhar no campo. Para mim são esperança, ouvindo-os, sei que eles continuam a (...)
13.Mai.21

Um saco farto de histórias

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Foi a correr contra o tempo que a biblioteca terminou a manhã na aldeia da Carreira do Mato, com leitores a telefonar uns aos outros dando a boa nova. O regresso das histórias à aldeia. A chuva ocupou a tarde no Vale Zebrinha, não se vê ninguém, a próxima aldeia será Arreciadas. Uma mulher caminhando ao longo da estrada, segura numa das mãos um pequeno ramalhete de flores silvestres, foi quando me ocorreu que estavamos na Quinta-feira da Ascenção, ou dia da Espiga, como é (...)
04.Ago.20

Onde muitas vezes repouso o olhar

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Na varanda, onde muitas vezes repouso o olhar, começo a distinguir para além do rio, ao longe, a aldeia  de Arreciadas, repentinamente uma vaga de memórias alcança a minha ausência do momento. No pequeno banco sentado, o João e um saco cheio de histórias pousado no chão, aguarda a chegada da biblioteca ambulante. Agora que as histórias se afastaram, continuará o João nos dias assinalados estar de olhar atento lá em cima onde a estrada desemboca no princípio da aldeia, (...)