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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paulo Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paulo Auster

18.Fev.20

E se as nuvens fossem histórias?

historiasabeirario
E se as nuvens fossem histórias? Histórias de alegria, histórias de tristeza. Histórias de autonomia, de teimosia. Muitas são de rudeza, mas também as há de surpresa. Histórias grandes, histórias pequenas, histórias de encantar, de chorar. Nuvens cinzentas, nuvens brancas, altas, médias e baixas. Umas são solitárias, de algodão como a história do João Ratão. Outras têm uma grande dimensão, constituídas por gotas de chuva, semelhantes a lençóis cinzentos, às vezes (...)
03.Fev.20

Texto da tetra 10

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No final de domingo, numa noite não muito fria a abertura dos noticiários nas televisões tiveram como assunto a chegada dos repatriados e possíveis infectados com o corona virús, na China na cidade de Wuhan. Ambiente alvoroçado entre os jornalistas perante a possibilidade de se aproximarem cada vez mais do local de aterragem do avião militar na Base Aérea de Figo Maduro. O mesmo acontecia no centro de Lisboa no ministério da saúde com a hora da chegada, nesse exacto momento, (...)
27.Jan.20

Tem de soltar os cavalos

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  Inopinadamente as viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra ficaram represadas no primeiro dia da semana. As pastilhas que auxiliam os travões, agarrando os discos para abrandar ou parar as rotações das rodas, estão danificadas, a sua substituição é inevitável. São muitas as viagens percorridas pela biblioteca ambulante, são muitas as histórias que desafiam a motricidade, nem todas são desejadas nas aldeias onde se demoram, continuam nas viagens seguintes, (...)
23.Jan.20

Voltar ao princípio

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  Viagens e andanças para lá, viagens e andanças para cá, distâncias longas e curtas, asfalto perfeito, asfalto imperfeito, mais pessoas numas aldeias, menos pessoas noutras aldeias. As histórias não são só viagens, há percurssos anteriores, mecanismos mentais ou intelectuais processados muito antes até chegarem às mãos dos leitores.  O destapar páginas amarelecidas de histórias que ao longo do tempo pouca luz viram, decifrar as letras, as palavras onde algumas aos meus (...)
22.Jan.20

Texto da treta 9

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Paredes enroupadas de palavras, de independência, lugares desocupados, passagens interruptamente exploradas, perseguindo o que não existe. Pessoas que não rompem, não querem saber, não querem recolher conhecimento, gente demasiadamente apreensiva com as maneiras de perdurar dos outros. Sorrisos mentirosos, pancadas que denotam amizades, deslealdades a mais para se compreender. São poucos dias, assustadores, demoram a atravessar, quero abalar, quero estar onde não sou infeliz. (...)
21.Jan.20

Texto da treta 8

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Saí apressado, preocupado a tentar não perder o que resta do texto memorizado, e que tinha escrito, mas estranhamente desapareceu quando o publicava. Por outras palavras e algumas que ainda por aqui ficaram, principiava ao deitar, aí o assunto é dormir, fantansiar, às vezes penar, render-me às ilusões. Últimamente antes de embalar, sou atropelado por letras, leio para mim o que escreverei, procuro  palavras. São caminhos nos quais as frases se desenvolverão, nem todos serão (...)
20.Jan.20

Texto da treta 7

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  Nas últimas horas, o vento não se cansa de uivar na região onde se estendem as viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra. O sopro é de tal maneira intenso que aparenta estar sedento por alguma coisa, tal e qual os lobos quando esfomeados exploram florestas e charnecas tentando alcançar as suas presas. O seu temperamento violento revolta os cabelos de quem anda sem a cabeça abrigada na selva urbana escapando às máquinas motorizadas, fintando os alcaiotes. (...)
18.Jan.20

O rio

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  Fui ver o rio, e o rio disse-me que estava arrepiado. Há muito tempo, leu uma história que lhe meteu medo. Foi de manhã cedo, o sol ainda não havia acordado. Ficou revoltado, na aldeia não acontecia alegria, as casas da aldeia estão vazias, não há cortesias, há melancolia. Tinha saudades do verão, das novidades que trarão, das pessoas novas que virão, na união dos que cá estão com os emigrados, os desconhecidos. Dos mergulhos, das brincadeiras, companheiras das manhãs, (...)
16.Jan.20

Texto da treta 6

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Deterrminado a comer um cozido à portuguesa dirigo-me a um talho ou açougue, como o queiram nomear, o local onde se cortam as carnes. Um aglomerado de olhos vorazes, com água na boca, cerca a vitrine onde está exposta a carne, um conjunto de cadáveres despidos, e amputados, espalha-se ao longo do mostruário. Desde as mais pequenas aves, a partes anatómicas dos bichos, unhas, lombos, costelas, orelhas, carne esmigalhada, aos chouriços, farinheiras, morcelas, mouras. Encontro a (...)
15.Jan.20

Texto da treta 5

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Sempre ponderei que nunca teria conversas sem utilidade quando me encontrasse em filas de supermercado, como assisto a inúmeras. Há sempre situações que obrigam a que se mencione publicamente perante desconhecidos, a meteorologia, a notícia mais propagada nos noticiários, nos jornais, o custo de vida e por aí além. Curioso é que estando na fileira, inconscientemente, por necessidade, por não se estar a olhar ao que está na frente ou  que segue logo atrás,  sem falar, como se (...)