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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

15.Nov.21

Passará a ser um leitor

historiasabeirario
As queimadas que se fazem notar no meio dos campos, nas hortas próximas das casas, onde a estrada que leva a biblioteca ambulante, rasga a tranquilidade das aldeias e lugares, parecem fumarolas como as que ocorrem nas regiões vulcânicas. Partes lenhosas das recentes podas efectuadas nas oliveiras após a colheita da azeitona ardendo, transformam repentinamente o olhar do viajante das viagens e andanças com letras em fantasia. Os campos são agora os da região ocupada e (...)
11.Nov.21

A tarde soalheira...

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Come-se castanhas assadas na aldeia da Concavada, no largo, sentados junto a uma mesa alguns locais não se esgotam de as levar à boca e engolir, acabadas de assar no resto do carvão que tostou os frangos antes do almoço. Defronte da biblioteca ambulante, no lado oposto, a viatura que traz a fruta e os filhos das galinhas preparados para o grande assador tem o fim de um dia de negócio à vista.  Amanhã será outro dia, outra aldeia, assim como a biblioteca ambulante, percorre (...)
09.Nov.21

Numa história que os...

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Ultimamente as manhãs têm-se iniciado confundindo o viajante das viagens e andanças, a névoa é tanta que nunca se sabe como crescem e terminam os dias. À primeira vista a leitura ficou para segundo plano, não é bem assim, os dias agora são pequenos para a colheita da azeitona e para frequentar a biblioteca ambulante. Só há tempo para a primeira, ainda o sol se espreguiça já os panos de cor verde se assemelham a tapetes numa enorme sala em volta das oliveiras. As (...)
29.Out.21

É agora uma fortificação...

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As copas das enormes árvores sobressaem com a cor das suas folhas douradas no cinzento, um cinzento mais escuro nas nuvens paira no horizonte ameaçador em Vale Zebrinho. Não muito distante do local onde a biblioteca ambulante permanece, o som de uma moto-serra a separar pequenos ramos amontoados, sobras da colheita da azeitona. Não há ninguém próximo, de vez enquanto surge uma viatura interrompendo a tranquilidade do lugar. A chuva veio alterar esta pausa no tempo, o (...)
28.Out.21

O último afecto...

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Os ramos da oliveira agitam-se de um lado para o outro rapidamente, não é o sopro do vento. No meio da ramagem, um braço esticado onde as mãos seguram um pau curto que bate violentamente na folhagem. As azeitonas soltam-se desencadeando uma saraivada na direcção dos panos ao redor da árvore. As mulheres não se atrevem a subir pela árvore acima, em baixo ripam a azeitona que está nos ramos que são cortados inteiros para favorecer o crescimento da árvore. Nem se apercebem da (...)
27.Out.21

As palavras são...

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De volta à estrada, às aldeias da minha terra, longe da ribalta regresso às pessoas, à escrita onde as palavras se soltam mais facilmente. Na aldeia do Tubaral, no largo onde tudo acontece, enquanto a padeira não chega, os diálogos giram em torno da azeitona, alguma não está madura, está assim na charneca, está assado... A chuva anunciada para o final da semana, está a apoquentar quem ainda não iníciou a colheita e tinha planeado o período de descanso mais longo que aí (...)
19.Out.21

Ainda me lembro de ouvir...

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Os homens ao sol assemelham-se aos lagartos, apesar de manterem a temperatura independentemente do meio, ao contrário dos lagartos, incapazes de aquecerem os seus corpos sozinhos. A conversa desenrola-se entre eles sem obstáculos, as palavras saem em catadupa. Uma mulher aproxima-se, traz uma vara comprida numa das mãos, na outra um balde cheio de panos. Revela que andou a colher azeitonas nos terrenos declivosos que por aqui existem. Ainda me lembro de ouvir falarem do frio, dos dedos (...)
18.Nov.19

Com letras e palavras

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O sol deu uma folga à chuva nas viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra, nas charnecas, terras de ninguém, de liberdade, onde cabem todas histórias, as urzes são as únicas que ainda resistem coloridas. Com os dias cada vez mais pequenos, a biblioteca ambulante e as histórias prolongam a continuidade dos mesmos com letras e palavras, que saltam à vista daqueles que descansam após um dia de trabalho, acalorando sob o fogo intenso das lareiras as suas (...)
08.Nov.19

Tudo não passa de um acto

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  A carrinha de caixa aberta, avança lentamente no asfalto, adiante da biblioteca ambulante nas viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra, dá sinais que vai desfalecer, a abarrotar de sacas cheias de azeitona, progride na mesma direcção das histórias, a aldeia da Chaminé, onde nesta altura o seu lagar não tem descanso. A sua fama de produzir bom azeite, suplanta os limites da freguesia onde está instalado, de quase todo o conselho chegam azeitonas para serem (...)
07.Nov.19

As histórias podem esperar

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      Na aldeia do Souto só o ruído proveniente dos ramos das árvores impelidos com violência pelo sopro do vento se ouve. Nem de perto, nem de longe se vê alguém, quem transita pelas ruas da aldeia, como a biblioteca ambulante, devagar, com o viajente das viagens e andanças a olhar de um lado para o outro, sondando. Um caçador de leitores, perscrutando ruelas, as quinas, os recantos da povoação,  percebendo que o frio desta vez vai ganhar, ainda por cima, uma massa (...)