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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

08.01.26

É o fogo que não se vê ...


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Hoje, o dia está cinzento, sem uma réstia de sol não há vivacidade nas aldeias, ficam de parte os leitores da biblioteca ambulante. Os restantes estão em casa, sei disso, o ar é denso, o odor da lenha em combustão impregna os lugares onde a biblioteca ambulante permanece. Originária do sobreiro, arde em todas as lareiras, nas aldeias. As chaminés estão o dia todo a vomitar fumo, sem parar, parecem comboios alimentados a vapor, cujas fornalhas engolem toneladas de lenha para (...)
09.12.25

Extinguindo o fogo, suprimindo ...


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A chuva não para de cair, alimentando as ribeiras, tornando visível pequenos charcos nos terrenos que acompanham a biblioteca ambulante pelas aldeias da minha terra. No interior do café Areias, no meio da obscuridade jogam às cartas dois homens. Enfiados no fundo da sala, só muito perto da mesa onde estão sentados se deixam ver. Admiro a audácia destes dois, disputando um jogo de bisca, onde os naipes parecem silhuetas presas nas mãos. Mas, não é bem assim, pois as cartas são (...)
18.11.25

A refeição preparada para o ...


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A charneca está brilhante, as gotículas de água estão em todo o lado, beneficiando o viajante das viagens e andanças. Não é o país das maravilhas, mas podia ser, cintilante, com histórias para todos na biblioteca ambulante. As pessoas nas aldeias da minha terra não desistem de colher a azeitona, após a paragem forçada, provocada pela visita da Cláudia, os panos verdes voltaram a rodear as oliveiras. Os homens e as mulheres chicoteando com as varas os ramos, agora, com a (...)
30.10.25

Morreram, trabalham longe da aldeia...


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O dia corre abatido, como as águas do rio, pardacentas, a passarem debaixo da ponte. Passagem usada pela biblioteca ambulante nas viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra. Até a aldeia parece moribunda, se não fosse o vento a agitar as folhas das árvores, diria que estava perante um cenário de um filme, onde personagens, e figurantes, aguardam pelo retomar das filmagens. As paredes brancas das casas, dos muros, são a única cor, um sinal, que não estão (...)
17.09.25

A maldição é uma ...


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O período que antecede eleições autárquicas é mágico, num abrir e fechar de olhos as ruas e estradas surgem alcatroadas aos pneumáticos da biblioteca ambulante. J. K. Rowling não foi tão célere a escrever os possíveis 2.500 caracteres na primeira página das aventuras de Harry Potter. Numa história onde abundam palavras mágicas, estas não fazem sequências mágicas na elaboração da obra literária, como vejo na arte da ilusão autárquica. Feitiços articulados com (...)
29.08.25

As enormes nuvens despedaçam-se ...


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E não é que o verão baixou as suas defesas, o inverno, esteja lá onde estiver, conseguiu colocar um padrão. Marcando a posse, do tempo, que irá acontecer dentro de alguns meses, de vestirmos camisolas de malha, calças, como estou a usar hoje de manhã. A anexação pela madrugada dentro, apanhou desprevenido o verão, só agora, observando o céu, está a repelir a sombra que tem pairado nas aldeias da minha terra. A meio da manhã, o vale abre os olhos, no rádio a voz da Lola (...)
03.07.25

A expressão no rosto das ...


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A nuvem de poeira persegue o tractor a fresar a terra, assim como o passado não deixa para trás as memórias. Partilhadas sempre que uma história é lida em voz alta para uma plateia atenta, seguindo o destino das palavras soletradas. A terra ao redor das aldeias da minha terra, transformou-se num mar de palha, cheio de ondas amarelas, de experiências anteriores, manifestando-se à tona do tempo. A expressão no rosto das mulheres, torna-me dependente, sujeito a biblioteca ambulante (...)
04.06.25

Duas mulheres ...


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O sol bate na biblioteca ambulante, na rua, um velho segue o traço preto, orientando-o em direcção ao Centro de Dia. Onde ficará até ao final da tarde, depois chega a noite, não vem sozinha, a solidão instala-se na casa do velho. É visita habitual, o velho não estranha, dialoga consigo próprio, com as memórias penduradas numa parede. A mulher há muito que partiu, na aldeia não tem mais ninguém, é no Centro de Dia que passa os dias, junto a outros na mesma condição. O (...)
15.05.25

Sobrevoando por cima da ...


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A biblioteca ambulante não progride nas viagens e andanças como as nuvens, vai na direcção das aldeias da minha terra, segue os futuros leitores, acompanha os leitores. Nas nuvens estão aqueles  que vêm com regularidade junto das histórias. Avançam com intuição nas histórias que lêem, há dias, ninguém os consegue seguir, noutros, não há melhor do que estarem sentados num banco, no jardim, a observarem panoramas.  As histórias são substâncias, puxam a ponderação, (...)
04.04.25

São água no final do furo ...


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    Regressaram as covas pouco profundas de água nos caminhos das viagens e andanças, nunca se sabe o que nos espera ao passarmos em cima destes charcos. Até um dia cair num poço sem fundo, uma viagem ao centro da terra, não será a primeira, de biblioteca ambulante nunca li, não ouvi alguém mencionar. Uma cavidade profunda aberta no caminho das histórias, de forma a atingir as nuvens, os campos de flores silvestres, as pessoas das aldeias. Um espelho de água a produzir (...)