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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

29.Abr.22

Talvez o cheiro...

historiasabeirario
O que poderia ser um dia grandioso de primavera não o é, o causador é o vento desagradável que sopra na charneca. Não fosse o odor perfumado das flores das laranjeiras chegar à biblioteca ambulante, e sem permissão penetrar nas narinas do viajante das viagens e andanças, o resto do dia seria péssimo. Talvez o cheiro cative os leitores e não leitores, que os puxe às histórias, assim possuídos pelo perfume, possam mudar os comportamentos que têm para com a literatura, e a sua (...)
08.Abr.22

A leitora não podia sair...

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A leitora não podia sair de sua casa, no seu lugar veio um vizinho informar que a Maria suportava o covid. Através dele questionava se podia entregar as histórias, que as deixava na porta à entrada de casa. Respondi que não havia problema, mas poderia continuar com elas, melhor ainda, se queria mais alguma história para acrescentar aos dias que ficaria isolada. Olhei da biblioteca ambulante, a Maria no interior de casa, aguardando à janela pela reposta,  com uma história na mão (...)
03.Mar.22

Os dias andam encolhidos...

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A chuva voltou, o frio está mais pronunciado e o vento anda  zangado, na aldeia pouca gente se vê, só os mais corajosos, ou aqueles que precisam de bens alimentares e livros se avistam na rua principal onde tudo acontece. Com a porta aberta o ar gelado rompe a cortina que demonstrava afabilidade com o viajante das viagens e andanças, a leitora ausente a estas impressões externas, está a abrir caminho nas páginas das histórias, talvez a saltar capítulos para apressadamente chegar (...)
30.Ago.21

Autor desconhecido...

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As fotografias biográficas do Antonio Botto oscilam, penduradas nas guitas que atravessam o interior da biblioteca ambulante, aparentam terem vida própria. Não mencionam, a sua apresentação aos aldeões está por um fio, tal e qual como elas estão aos olhos de quem as queira descobrir. Autor desconhecido na maioria das aldeias da minha terra, foi nas viagens e andanças que se deu a conhecer, onde nasceu, o percurso literário, o fim trágico da sua existência no  Rio de Janeiro. (...)
14.Mai.21

Fomos vítimas do tempo...

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Na aldeia da Barrada, o café Areias tem a porta aberta, o pequeno largo, não é mais, uma encruzilhada de caminhos, só a biblioteca ambulante permanece. O sol está implacável, não preocupa o viajante das viagens e andanças, o importante é estar presente na aldeia, não perder o contacto com os leitores. Foi muito tempo de ausência, fomos vítimas do tempo, disse a Maria da Conceição. Veio devolver as histórias, religiosamente colocadas num local seguro da sua casa. Não quis (...)
19.Set.20

Para muito breve

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Voltei ao vale que divide a charneca, não foi um regresso às viagens e andanças, foi relembrar um passado recente. Para o viajante das viagens e andanças se tornou demasiado longo, as saudades das viagens, de levar histórias, das pessoas, não se escoaram, ficaram as memórias. Foram elas que me empurraram de casa para o vale, para visitar as aldeias do Vale Zebrinho, Barrada e Pego. São lugares onde a biblioteca ambulante se demorou, em tardes longas no verão e curtas no inverno. (...)
29.Jan.20

É testemunha das características e valores

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   No largo, só à entrada do café Areias na aldeia da Barrada se avista alguém, desde que a biblioteca ambulante estacionou, depois de percorridos os primeiros quilómetros das viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra, no dia de hoje. Os diálogos são seguidos com minis, seguras nas mãos que as agarram, acompanham os movimentos gestuais, quando estes são necessários. Palavras e gestos usados na comunicação destas pessoas, histórias logo ali tão perto na (...)
23.Dez.19

Só as histórias os tiram da apatia

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  O rio tejo continua castanho mas perdeu a bravura dos dias anteriores, a neblina ainda não se desprendeu na aldeia da Barrada nas viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra. Depreendo que tal não irá acontecer hoje, as horas avançam, não tarda a noite cai sem se ver o sol. Também os leitores não despontam, estão agarrados nas suas casas a moldar massas para as filhoses, os coscorões, bolos, tudo o que uma mesa de consoada merece no que diz respeito à (...)
04.Dez.19

Umas e outras possam não estar em sintonia

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  A vida no campo decorre, as viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra, prosseguem  na planície verdejante que acolhe rebanhos e manadas, apanham sol triturando ao mesmo tempo a erva macia, rodeando os charcos repletos de água das recentes chuvadas, estão as cegonhas e outros pássaros de pequena estrutura matando a sede. Os terrenos agrícolas, parecem estar adormecidos, nas hortas são os citrinos que dão nas vistas, a tonalidade dos frutos tornam os locais (...)
04.Out.19

Trouxe as histórias dela

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  Na aldeia da Barrada a tarde avança devagar, nas viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra, uma leitora veio procurar histórias, com ela trouxe as histórias dela. Relatos de outras épocas, a propósito do início da feira na cidade de Ponte de Sôr, reclinada no território das viagens e andanças, não muito longe desta aldeia. Conta-me, quando ainda menina, foi muitas vezes de carroça com os pais, puxada por bois, com ela iam os outros todos, a aldeia (...)