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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

30.Ago.21

Autor desconhecido...

historiasabeirario
As fotografias biográficas do Antonio Botto oscilam, penduradas nas guitas que atravessam o interior da biblioteca ambulante, aparentam terem vida própria. Não mencionam, a sua apresentação aos aldeões está por um fio, tal e qual como elas estão aos olhos de quem as queira descobrir. Autor desconhecido na maioria das aldeias da minha terra, foi nas viagens e andanças que se deu a conhecer, onde nasceu, o percurso literário, o fim trágico da sua existência no  Rio de Janeiro. (...)
14.Mai.21

Fomos vítimas do tempo...

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Na aldeia da Barrada, o café Areias tem a porta aberta, o pequeno largo, não é mais, uma encruzilhada de caminhos, só a biblioteca ambulante permanece. O sol está implacável, não preocupa o viajante das viagens e andanças, o importante é estar presente na aldeia, não perder o contacto com os leitores. Foi muito tempo de ausência, fomos vítimas do tempo, disse a Maria da Conceição. Veio devolver as histórias, religiosamente colocadas num local seguro da sua casa. Não quis (...)
19.Set.20

Para muito breve

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Voltei ao vale que divide a charneca, não foi um regresso às viagens e andanças, foi relembrar um passado recente. Para o viajante das viagens e andanças se tornou demasiado longo, as saudades das viagens, de levar histórias, das pessoas, não se escoaram, ficaram as memórias. Foram elas que me empurraram de casa para o vale, para visitar as aldeias do Vale Zebrinho, Barrada e Pego. São lugares onde a biblioteca ambulante se demorou, em tardes longas no verão e curtas no inverno. (...)
29.Jan.20

É testemunha das características e valores

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   No largo, só à entrada do café Areias na aldeia da Barrada se avista alguém, desde que a biblioteca ambulante estacionou, depois de percorridos os primeiros quilómetros das viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra, no dia de hoje. Os diálogos são seguidos com minis, seguras nas mãos que as agarram, acompanham os movimentos gestuais, quando estes são necessários. Palavras e gestos usados na comunicação destas pessoas, histórias logo ali tão perto na (...)
23.Dez.19

Só as histórias os tiram da apatia

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  O rio tejo continua castanho mas perdeu a bravura dos dias anteriores, a neblina ainda não se desprendeu na aldeia da Barrada nas viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra. Depreendo que tal não irá acontecer hoje, as horas avançam, não tarda a noite cai sem se ver o sol. Também os leitores não despontam, estão agarrados nas suas casas a moldar massas para as filhoses, os coscorões, bolos, tudo o que uma mesa de consoada merece no que diz respeito à (...)
04.Dez.19

Umas e outras possam não estar em sintonia

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  A vida no campo decorre, as viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra, prosseguem  na planície verdejante que acolhe rebanhos e manadas, apanham sol triturando ao mesmo tempo a erva macia, rodeando os charcos repletos de água das recentes chuvadas, estão as cegonhas e outros pássaros de pequena estrutura matando a sede. Os terrenos agrícolas, parecem estar adormecidos, nas hortas são os citrinos que dão nas vistas, a tonalidade dos frutos tornam os locais (...)
04.Out.19

Trouxe as histórias dela

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  Na aldeia da Barrada a tarde avança devagar, nas viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra, uma leitora veio procurar histórias, com ela trouxe as histórias dela. Relatos de outras épocas, a propósito do início da feira na cidade de Ponte de Sôr, reclinada no território das viagens e andanças, não muito longe desta aldeia. Conta-me, quando ainda menina, foi muitas vezes de carroça com os pais, puxada por bois, com ela iam os outros todos, a aldeia (...)
23.Set.19

A agasalhar os nus

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  Com o verão a ficar despido, as viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra, continuam vestidas de histórias, de roupas coloridas, de roupas quentes e frescas, umas inteiriças, outras curtas, largas e apertadas, consoante as queiram escolher. Indumentárias que aquecem corpos desnudos de literacia, na totalidade das aldeias das viagens e andanças, a biblioteca ambulante desenvolve um trabalho de costureira e alfaiate ao mesmo tempo, tira medidas, oferece o (...)
17.Set.19

Usam o viajante das viagens e andanças

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  Não é compreensível a tarde de hoje nas viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra, o céu apresenta-se inquietante a norte, a sul resplandece. No largo o café Areias tem as portas abertas, da penumbra do seu interior não avisto fregueses, no espaço defronte os poucos automóveis circulam sem parar. Fogem do aborrecimento de ter que permanecer onde não há nada, trabalho, comércio, escola, agitação social. Raros, são os que não se afastam da biblioteca (...)