Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

19.Out.21

Ainda me lembro de ouvir...

historiasabeirario
Os homens ao sol assemelham-se aos lagartos, apesar de manterem a temperatura independentemente do meio, ao contrário dos lagartos, incapazes de aquecerem os seus corpos sozinhos. A conversa desenrola-se entre eles sem obstáculos, as palavras saem em catadupa. Uma mulher aproxima-se, traz uma vara comprida numa das mãos, na outra um balde cheio de panos. Revela que andou a colher azeitonas nos terrenos declivosos que por aqui existem. Ainda me lembro de ouvir falarem do frio, dos dedos (...)
15.Out.21

Não acredito em excesso...

historiasabeirario
O vento traz o cheiro de sardinhas a serem assadas, apesar de já ter almoçado não deixa de ser uma sensação boa. Alguém em Martinchel está preparando a refeição atrasada, com o verão fora de horas, ainda há quem proceda de acordo com a estação mais quente do ano. As sardinhas podem ser degustadas em qualquer dia do ano, mas sabem melhor quando o tempo corre devagar, entremeando o resto do dia com uma sesta, dando descanso ao corpo devastado de tanto manjar. Só não se (...)
14.Out.21

A levar a boa nova...

historiasabeirario
Uma névoa suave produzida pela cortiça a ser mergulhada em água a ferver, ocupa a extensa planície que acompanha a estrada que leva a biblioteca ao destino. O gado indiferente procura a erva fresca que começa a despontar junto dos sobreiros e carvalhos. As histórias não param na viagem que as conduz à aldeia do Vale das Mós, debaixo de um sol que hoje ainda estará inclemente ao viajante das viagens e andanças. A pequenada da não quis de ter a posse das histórias nas suas (...)
13.Out.21

Continuam a ser essenciais...

historiasabeirario
Olho ao redor da biblioteca ambulante na aldeia do Vale do Açor, persigo um assunto que me empurre a escrever o post de hoje. Aos ouvidos chega-me o som de uma serra separando partes lenhosas de árvores, são para serem queimadas nas lareiras e fogões. O frio está atrasado mas não inviabiliza a realização deste trabalho árduo. Três ciclistas aproximam-se, vêm bastante extenuados, rostos cheios de água, após concluírem a íngreme subida, logo atrás do local onde permanece a (...)
12.Out.21

Cruzam olhares...

historiasabeirario
- É a biblioteca! Não gosto de ler. - Ah... Eu gosto. São as palavras que acabei de ouvir, que cortaram o silêncio da aldeia e o som das folhas das árvores balançando ao vento, invadindo a rua. Fiquei à espera que algo acontecesse, o tempo passou, não aconteceu nada. As histórias mantêm-se cheias de sobriedade, apesar da ansiedade e da mágoa. Sentimentos regulares de quem leva histórias pelas aldeias da minha terra. Com e sem máscaras no rosto, as pessoas passam próximo da (...)
11.Out.21

É bom voltar

historiasabeirario
Voltar à estrada com as histórias, ouvir o vento, cheirar a terra, ver pessoas há muito ausentes das viagens e andanças com letras, sentir a ruralidade. Hoje é o primeiro dia após um pequeno período de descanso, pelas aldeias da minha terra a levar histórias. É sempre um recomeço, tornar a segurar o volante, perceber o som do motor, engrenar a mudança, partir a aventura. Surgirão leitores,  a incógnita que acompanha sempre o viajante das viagens e andanças, vá para onde (...)
23.Set.21

Tombando com estrondo...

historiasabeirario
O outono chegou com o vigor do inverno, na Aldeia do Mato a biblioteca com as portas fechadas, a disponibilizar histórias aos leitores audazes que queiram enfrentar a chuva impelida pelo vento. Na cabeça do viajante das viagens e andanças, passam imagens de histórias a voar, arrancadas da sua árvore, pairando no ar, indo na direcção das habitações dos leitores. Tombando com estrondo nas portas, avisando-os que estão ali, que as leiam, que as arremessam aos vizinhos, que (...)
21.Set.21

O vento leva tudo...

historiasabeirario
O vento leva tudo, despenteia os cabelos do leitor, desgrenha as folhas dos jornais, entra e sai violentamente na biblioteca ambulante. As copas das árvores debruçam-se, assim ficam sem conseguirem aprumarem-se. As histórias encolhidas nas estantes ouvem os assobios do vento, tanto que agora só querem ir dançar, rodopiar na ventania, ao som agudo da passagem do ar por entre as folhas. Este momento de festa não é para qualquer um, no seu lugar o viajante das viagens e andanças, (...)