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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

02.Set.21

A chuva...

historiasabeirario
A chuva tirou-os do marasmo, dos afazeres, estão à entrada das suas casas, espreitam nas janelas. Alcançou vantagem a precipitação, a indiferença à passagem da biblioteca ambulante na rua principal da aldeia é certa, mas a novidade foi a água que chegou e seguiu apressada. As histórias aparecem e desvanecem sem interrupções muito mais do que a água escorrida das nuvens. De rostos virados para cima, olham o espaço infinito como se este colocasse ao dispor mais água. A (...)
07.Set.20

Histórias narradas noutro tempo (revistas e corrigidas)

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  O fumo libertado pela chaminé das caldeiras onde a cortiça é escaldada, espalha-se vagarosamente pela charneca ao encontro da estrada, tornando o cenário sinistro e belo ao mesmo tempo. Os mais distraídos conjecturarão que estão próximos da costa marítima. Quem passa e não sabe, é neblina  que surge precocemente, veloz, enfraquecendo a tarde. Na estrada os faróis amarelos e prateados reluzentes como os metais expostos nas joalherias, cruzam-se nos dois sentidos. As viagens (...)
06.Dez.19

A ausência que cumpre nos seus compromissos

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  As mulheres na aldeia do Brunheirinho aproveitam o sol da tarde, para pôr as palavras de umas e outras actualizadas, porém a manuntenção nas hortas não fica descuidada, no ir e vir das suas casas, a confirmar se o lume na lareira se mantém activo ou se a água na panela está em ebulição para receber os legumes para a sopa do jantar, é o momento em que acontecem estes diálogos inesperados. As folhas nas árvores estão quietas, a temperatura convida a caminhar no (...)
18.Nov.19

O reconhecimento que lhes devo

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  A tarde esmorece na aldeia do Vale das Mós, ao mesmo tempo que uma aragem fria toma conta  do viajante das viagens e andanças. Para se defender, recorre ao café quente depositado num termo, ao entornar a bebida ainda fumegante, é surpreendido, o líquido queima-lhe a língua, pensa raios e coriscos, mas tudo passa quando se sente confortado com a temperatura do seu corpo estabelizada. Mulheres já com alguma idade, deslocam-se em grupos de duas, trés, dirigem-se para o Centro (...)
18.Nov.19

Com letras e palavras

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O sol deu uma folga à chuva nas viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra, nas charnecas, terras de ninguém, de liberdade, onde cabem todas histórias, as urzes são as únicas que ainda resistem coloridas. Com os dias cada vez mais pequenos, a biblioteca ambulante e as histórias prolongam a continuidade dos mesmos com letras e palavras, que saltam à vista daqueles que descansam após um dia de trabalho, acalorando sob o fogo intenso das lareiras as suas (...)
19.Set.19

As histórias nunca se acabam

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  Opostamente a tarde nas viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra, resiste ao avanço do outono na parte inicial do dia. Séculos atrás foi um casal rodeado de charnecas, por aqui alicerçaram, está transformado numa aldeia, desunida topograficamente por um espaço intermédio lotado de várias hortas bem delineadas. No Brunheirinho a escassez vai para além dos leitores, voltam ao anoitecer, dão uma espreitadela na horta, nos animais de capoeira, recolher (...)
23.Jul.19

As histórias tantas vezes me animam

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  Adormeci, ainda vislumbrei os clarões, o som arrastado do trovejar ainda longe impeliu-me para um sono profundo, interrompido noite dentro pelas rajadas do vento, a chuva não parava, ainda atordoado deixei-me estar. Desliguei-me outra vez, talvez alguém accionasse um interruptor e me apagasse, fez-me bem. De manhã cedo as nuvens cinzentas pairavam perto da janela, quase lhes tocava, há muito tempo que não acordo com o céu totalmente azul, tenho saudades de ver o sol a (...)
04.Jul.19

Somos viajantes necessários

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Perdoam-me os que estão de férias, nas praias, nas montanhas, nos campos, nas cidades, subindo, descendo, ziguezagueando, em viagens longas e curtas. As distâncias não importam, ver, cheirar, comer, beber, conhecer, voltar a onde se amou e chorou. Mas tem estado uns óptimos dias nas viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra, temperaturas amenas de manhã e tarde, para vaguear por lugares e aldeias, transportando histórias numa biblioteca ambulante. Seduzindo (...)
02.Mai.19

Melhores condições aos confinantes

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Quinhentos anos após a tua morte Leonardo, no mesmo dia do mês de Maio a biblioteca ambulante nas viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra, está estacionada numa pequena aldeia roçando o alentejo. No seu interior o viajante aguenta os 34º graus de temperatura, a partir de agora será sempre a subir. Não sei a temperatura que fazia neste dia há cinco séculos atrás, no dia da tua partida, possivelmente seria semelhante. Tu que também foste um viajante (...)