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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

29.Jun.22

Sempre inclinadas ou fora do lugar...

historiasabeirario
A manhã está resmungona em Alferrarede Velha. A Maria aproximou-se com ambas as mãos segurando sacos cheios, massas, enlatados e pão foram os que se deixaram ver. Disse que ia a casa e já regressava para devolver as histórias. Olhei,  a Maria balanceava a sua pequena estrutura enquanto caminhava na direcção das histórias, trazia outro saco preso numa das mãos, continha as histórias lidas que seriam comentadas logo que entrasse na biblioteca ambulante. Gostei desta, esta não (...)
06.Jun.22

O vento está enamorado...

historiasabeirario
  A história espreita a tarde a tentar alcançar quem atravesse a rua. Mas só o vento está na aldeia, traz histórias dos lugares por onde passou. Pôs as árvores a dançar no vale, os ramos rodopiam de um lado para o outro, como as saias das bailarinas. O vento dançarino dança com todas as árvores ao mesmo tempo, sussurando com uma, com outra, elas ficam  tontas com o que lhes diz, mas também do fandango improvisado ficam sem tino. O vento está enamorado, as folhas das (...)
07.Abr.22

Leria em voz alta...

historiasabeirario
A pastora grita com as ovelhas que não lhe obedecem, impropérios ecoam pelo vale adiante, esbarrando na charneca. O gado encontrou pouco depois de ter transposto a estrada a erva tenra, estacando logo aí, em vez de continuar a correria para o pasto. Berrando alto e a bom som, manejando o cajado numa das mãos de um lado para o outro, a pastora só conseguia fazer-se ouvir pelo viajante das viagens e andanças, que no princípio se assustou com tamanha ofensa aos animais. Estes não (...)
27.Ago.21

As raízes...

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A terras da charneca apresentam gretas, o vento não se aborrece por estas paragens, a cor castanha predomina no terreno árido. Tem sido assim nas últimas semanas, os hábitos de leitura pelas aldeias da minha terra secaram, excepcionalmente surgem parcelas férteis, poucas, mas determinadas a não perder a prática da leitura. As raízes destes lugares continuam a causar leitores, na sombra das árvores mais velhas, as plantas lenhosas ainda tenras crescem protegidas da ausência da água. 
28.Fev.20

Já leste estes livros todos?

historiasabeirario
O relógio da torre sineira da igreja da Aldeia do Mato toca quatro vezes, o sol está quente, lá mais em baixo a água do rio está apelativa. Que bem sabia, um mergulho, libertar as poeiras do inverno que ainda não se foi embora, mas a primavera é teimosa e insiste na antecipação. Só nas viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra, é possível encontrar os diversos estados da meteorologia. Os campos que acompanharam a viagem da biblioteca ambulante até esta (...)
28.Fev.20

Já leste estes livros todos?

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O relógio da torre sineira da igreja da Aldeia do Mato toca quatro vezes, o sol está quente, lá mais em baixo a água do rio está apelativa. Que bem sabia, um mergulho, libertar as poeiras do inverno que ainda não se foi embora, mas a primavera é teimosa e insiste na antecipação. Só nas viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra, é possível encontrar os diversos estados da meteorologia. Os campos que acompanharam a viagem da biblioteca ambulante até esta (...)
07.Fev.20

Gerar futuros leitores

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  Fui ver o rio outra vez, desta vez estava resignado, com o tempo enevoado, arrisquei caminhar numa rua da Aldeia do Mato, onde só os meus passos ouvia. Nos beirais dos telhados, os pardais atordoados por tanta tranquilidade, assustam-se à minha passagem. Perto do miradouro, um som familiar chega-me aos ouvidos, a lâmina de uma enxada a ferir a terra, rasgando-a de seguida com violência. Uma mulher e um homem quebram o silêncio tratando a terra, as suas entranhas são escuras, (...)