A tarde sufocante não inibe os leitores de virem à biblioteca ambulante, ler o jornal, ou encontrarem alguma história onde se possam abrigar da provável chuvada que cairá muito antes do viajante das viagens e andanças dar por terminado o dia. A luz brilhante borra a imagem, sem distrair os leitores empenhados em descobrirem histórias e palavras, bem podiam ser, guarda-chuva, sombrinha, ou umbela, impermeável, gabardina, para-raios e outras relacionadas com o que aí vem. As (...)
Na Casa Branca o local habitual da permanência da biblioteca ambulante esteve ocupado num espaço de tempo prologando, o viajante das viagens e andanças agarrou o lugar com o olhar não fossem os leitores surgirem e não visualizarem as histórias. Os automóveis enchem o espaço junto ao café, suponho os seus proprietários no interior deste, a esplanada acolhe alguns. Ainda me olham como um estranho, a primeira impressão que se tem das pessoas daqui é a rudeza, depois tudo (...)
O bairro de manhã não quis participar, na aldeia, de tarde, estavam à nossa espera, a biblioteca ambulante e o projecto social, parceiros no combate à solidão e ao isolamento. Será uma semana de leitura, de histórias, de momentos exclusivos partilhados entre todos. Na periferia as pessoas isolam-se, enfiadas nas fracções dos prédios, sem contactarem com o vizinho do lado de cima e de baixo, ali estão espreitando detrás dos cortinados, das persianas. Olham as cadeiras vazias, (...)
A música do rádio embala-me, e a escrita começa a correr na folha de papel imaculadamente branca. A pureza da substância de origem vegetariana anima o viajante das viagens e andanças a explorar o desconhecido, a deixar a peugada, o rasto se assim quiserem. Não é mais com o que faz a conduzir a biblioteca ambulante, os dias nunca são iguais, a expectativa não esmorece, a possibilidade, nunca a impossibilidade, de encontrar novos leitores, pessoas novas são a grande vontade da (...)
Encurralada sob os prédios altos do bairro, a biblioteca ambulante está sem leitores até ao momento do inicio da crónica de hoje. O frio continua a seguir-me, o mesmo acompanhará os leitores caso saem de casa, na rua as pessoas caminham apressadas em direcção ao café, outras juntam-se ao sol a fumar. A biblioteca ambulante desafia-as, olham para as histórias, logo ali tão perto, falta-lhes dar aquele passo que poderá mudar-lhes hábitos, aprenderem qualquer coisa. Estou como (...)
Vinte graus celcius, é a temperatura no mostrador do rádio da biblioteca ambulante, na aldeia da Casa Branca. A esplanada do café incansável a saudar a estrada, está cheia de homens entorpecidos, cabeças descaídas na direcção do peito. Ali estão na pasmaceira, as histórias não os despertam, muito menos motivam, vidas acabadas, sonhos desfeitos, esperam pelo tempo que nunca mais chega. No âmago do estabelecimento, estão outros sentados a jogar cartas, de quando em vez ouço (...)
De regresso à estrada, nas viagens e andanças com letras, tirando vantagem da chuva que não cai. As histórias espreitam a estrada, iludidas pelos automóveis que transitam lhes dêem oportunidade de uma boleia. Na beira da estrada as páginas agitam-se fortemente, abanando nos dois sentidos, dando força à pouca intensidade da leitura. Mesmo assim nenhum abranda até parar, agigantam-se para que as vejam, sem sorte. Os ocupantes vão concentrados, não notam as palavras desprendidas (...)
O resguardo que a manhã trouxe com as nuvens favorece a temperatura delicada que se faz sentir. Assim estão os leitores na relação com a biblioteca ambulante, da presença destes à ausência, uma linha frágil os separa das histórias. Os pingos da chuva mais grossos, asseguram a veracidade do que acabei de escrever, é complicado não ter leitores, as histórias ficam abandonadas. Não há agitação, diálogos, ficamos vazios, ignorantes no vínculo que construimos, com sede da (...)
A porta escancarada para o antigo acesso que levava água, memória de um passado muito distante, não significa que os desejos às acessibilidades sejam espontâneos. Neste momento, há passagens para quem queira desfrutar de outras águas que matam a sede de conhecimento. Difíceis de derrubar, as portas para alguns resistentes, continuam difíceis de concluírem a façanha de iniciarem o desafio na corrente das letras. Contornar os declives os meandros, evitando areias no leito (...)
No regaço do bairro as histórias tentam abrigo nas fracções dos prédios que preenchem o que foi em tempos, hortas, olival e mais para trás o local onde existiu um convento. Saíram os monges, voltaram outros, famílias encaixadas umas nas outras que não dão importância às histórias que os informam da importância histórica do lugar. São poucos os que desafiam as palavras, entram no café, sentam-se na pequena esplanada defronte da biblioteca ambulante e não se passa nada. (...)