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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

  O rio Tejo perdeu a sua energia, não tem ânimo, ao contrário, em Rossio ao Sul do Tejo, no seu eixo principal, o trânsito automóvel está impaciente. As viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra estão em Coalhos,  onde as suas terras planas são oferecidas à recepção das águas do rio, quando este não as consegue suster no seu leito. Duas ribeiras atravessam este lugar, com as suas águas alegres entre os canaviais, que se esgotam no leito do rio que divide (...)
  O vento assobia, as copas do arvoredo não se cansam de bailar. Está frio, no interior das terras as sementes germinam, precisam de água, a pouca que resta evapora-se com a aragem que se faz sentir. Uma mulher debruçada para a terra, com movimentos bruscos e cadenciados, colhe erva para os coelhos, estruma-se terra de cultivo, cava-se aqui, cava-se ali, cava-se além, uma manhã de viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra. Na biblioteca ambulante vejo grande (...)
Na varanda, onde muitas vezes repouso o olhar, começo a distinguir para além do rio, ao longe, a aldeia  de Arreciadas, repentinamente uma vaga de memórias alcança a minha ausência do momento. No pequeno banco sentado, o João e um saco cheio de histórias pousado no chão, aguarda a chegada da biblioteca ambulante. Agora que as histórias se afastaram, continuará o João nos dias assinalados estar de olhar atento lá em cima onde a estrada desemboca no princípio da aldeia, (...)
A meio da manhã de outro dia, nas viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra, com a chuva desta vez a cair como se tivesse escoado por orifícios de um funil de fabricação de fios de ovos, atingindo quem anda desprevenido com tamanha frieza e carinho ao mesmo tempo. Neste momento a biblioteca ambulante mantém presença na aldeia de Coalhos, com panorâmica para o outeiro na outra margem do rio, a névoa esconde a fortaleza e o jardim debruçado no sentido das (...)
27 Mar, 2019

A ventania continua

A ventania continua nas viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra, no lugar de Coalhos a biblioteca ambulante foi recebida por uma adolescente avestruz sob o olhar atento da sua progenitora. Na Quinta dos Plátanos, o amor dos proprietários pelos animais, leva-os a alojar várias espécies de diversos continentes. O casario da localidade prolonga-se ladeando a estrada de um lado e outro, extensas hortas intercalam com algum vinhedo, mais á frente o pinhal que se (...)
A abertura do dia dava alento às viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra, com o tempo a decorrer não será assim, nuvens ameaçadoras surgem no horizonte. Na biblioteca ambulante as histórias estão com fôlego para rumarem aos lares das pessoas da pequena aldeia de Coalhos. À pouco tempo atrás atravessando a ponte da margem norte para sul, por baixo o rio mais completo mostrava uma aparência calma, a louca corrida das suas águas vinda de Espanha, dá (...)
08 Nov, 2018

Ansiosa de chegar

 Finalmente vejo os panos rodeando as oliveiras, assim as azeitonas já se podem desprender da ramagem que as aguentam, sem se perderem na terra. Escadas reclinadas sobre a folhagem, homens empoleirados sacudindo com paus os frutos mais altos, em baixo são as mulheres com paus mais compridos que açoitam as folhas. Os panos ficam cheios de pontos pretos e esgalhos, tudo isto é separado, a azeitona é ensacada, indo depois para o lagar. Daqui para a frente será este o cenário (...)
27 Set, 2018

Elabora sucessos

 Na aldeia de Coalhos o vento continua presente, a manhã está mais fresca que as anteriores desta semana. Da biblioteca ambulante não muito distante da EN 118, entrevejo a intensidade do tráfego em ambos os sentidos. Como seria bom os aldeões movimentarem-se até à biblioteca com mais frequência nas aldeias do itinerário desta. As histórias fariam deles outras pessoas, arrebatariam o seu isolamento, propiciariam soluções, olhariam o futuro com motivação. Não desistam, a (...)