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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

06.Set.22

São nadadores olímpicos...

historiasabeirario
A primeira semana de Setembro trouxe vestígios de chuva, o Outono a querer afirmar-se naquele que está a ser um ano privado de água. Não passa de uma pequena indicação, as terras continuam secas, só as nuvens cruzando o céu não são as mesmas. Aproximam-se e fogem logo, brancas, cinzentas, unidas na cor não deixam cair uma pinga de água. A circunstância feliz são os homens da escrita, cujas canetas nunca deixaram de libertar a tinta que enche a torrente de palavras que vai (...)
18.Ago.22

As histórias voltarão...

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Há festa na aldeia, no Souto os preparativos avançam na montagem do palco que irá receber os artistas. Entre diálogos animados, gargalhadas à mistura, idas ao bar da associação para matarem a sede, debaixo do sol  que já expressa tirania, andam voluntários, quem pertence à comissão organizadora da romaria, de tronco descoberto, transportando aos ombros compridos tubos. As alvenarias que cercam as casas à beira da rua que leva as pessoas à festa, caiadas de um branco (...)
22.Jun.22

Ler na praia, ou debaixo. do telheiro...

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A manhã está refém das nuvens cinzentas, destacam-se as ervas secas, carregadas de um amarelo forte, o contraste é bonito de se ver ao longo da estrada que leva a biblioteca ambulante. Só a chuva se ouve a bater fortemente, as histórias estão assim sequestradas pela intempérie na aldeia da Atalaia. Os leitores que gostam de ler na praia fluvial, ou debaixo do telheiro ao final da tarde ao mesmo tempo que se refrescam com uma cerveja, não virão com esta massa de água a (...)
30.Mai.22

O som melodioso do canto dos pássaros...

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A chuva regressou, com a temperatura a recuar hoje de manhã na aldeia do Souto. As folhas das árvores um pouco agitadas perante a incredulidade do tempo, e o som melodioso do canto dos pássaros são únicos no largo onde está a sede da Sociedade Recreativa e o Centro de Dia da aldeia. Ninguém atravessa o lugar, a curiosidade não os despertou, como aconteceu noutros momentos, na presença da biblioteca ambulante. Advinho que as histórias não vão ter o calor das mãos dos leitores (...)
11.Mai.22

Na companhia das sardinheiras....

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  Aproveitando a sombra da árvore, na companhia das sardinheiras, flores que dão o mote na primavera na cidade de Abrantes e aldeias da minha terra. As viagens e andanças ficam ornamentadas, as histórias estão mais cheirosas, a biblioteca ambulante um canteiro. Está composto o ramalhete para que o dia tenha leitores, (...)
21.Abr.22

Um longo percurso...

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A transparência da manhã está a terminar com a chegada do manto cinzento a cobrir a totalidade daquele que seria um dia brilhante. Na rua, duas mulheres conversam junto do mercadinho da Ilda, outra que por aqui passou, próximo da biblioteca ambulante, meteu conversa, os casos de covid, a guerra da Ucrânia apoquentavam-na, ambos estão a estragar o resto dos anos que lhe faltam. As pessoas andam atentas, vêm e ouvem notícias, perderam a desconfiança, entram na biblioteca, escolhem (...)
01.Abr.22

Que estivessem sempre...

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A pouco e pouco a primavera instala-se, a charneca expõe a sua paleta de cores, modificando a paisagem. As viagens e andanças com letras, têm agora outra impressão, existe mais ilustração, as histórias acontecem com novas essências, com um estímulo mais sarapintado. As flores silvestres mostram-se vaidosas à biblioteca ambulante, ladeiam as estradas estreitas que levam as histórias e as pessoas às aldeias e lugares da minha terra. Dão esperança aos que habitam por aqui, (...)
15.Mar.22

A poeira entranha-se...

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A poeira teima em tornar menos límpidas as terras mais elevadas situadas a norte das viagens e andanças com letras. Não chove como aconteceu no dia de ontem, nem o frio consegue representar um papel de destaque, a manhã está perfeita, crescendo no meio da cantoria dos pássaros. No Souto, formando um pequeno círculo, um grupo de homens estão conversando. Têm tempo em abundância, o jornal que o viajante das viagens e andanças lhes entregou é lido com outra disponibilidade. Não (...)
24.Fev.22

É nas bibliotecas...

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O dia amanheceu cinzento, a Europa está a ser violada nos seus direitos mais básicos humanos, a Ucrânia está a ser invadida pela Rússia. Um miserável, não tenho outra expressão para o referir, o homem que ordenou o ataque a território ucraniano. O conceito de justiça em Putin, em educar o seu povo na sociedade actual não acontece, pelo contrário endurece-o no mal. A inquietação não é generalizada nas viagens e andanças pelas aldeias da minha terra, o quotidiano (...)
07.Fev.22

Chegou impaciente...

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Chegou impaciente, tinha que semear batatas ainda hoje, entre a história que ficou em casa e que renovou,  a que levou, foi tempo de conversa, de histórias da terra. Os mortos que eram levados em padiola, por não haver na época caixões, os homens da aldeia no dia funeral eram destacados para transportar o defunto. Revezavam-se, uns aos outros, quase um dia até à aldeia que dispunha de cemitério, a subir, a descer, caminhando por atalhos cheios de obstáculos. No regresso, não (...)