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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

19.02.26

Finalmente o céu surgiu ...


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As flores amarelas, mais conhecidas por azedas estão em todo o lado. Na beira da estrada guiando a biblioteca ambulante nas viagens e andanças, nos prados enfeitando o pasto dos animais, aos pés das oliveiras aquecendo-lhes as raízes. Finalmente o céu surgiu azul, com o sol a ver-se no horizonte, enquanto iniciava a subida. Não me lembro do último dia em que vi a claridade que precede o nascer do dia. Nunca o sumo de laranja me soube tão bem ao pequeno-almoço, partir para outras (...)
13.01.26

Não manipulo o tempo ...


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Tenho saudades do sol, há vários dias que este não consegue ficar firme e estável nas aldeias da minha terra. A sua ausência tem consequências nas viagens e andanças, são poucos os leitores que vêm à biblioteca ambulante. As histórias correm o risco de ficarem deprimidas, constantemente, sem se mostrarem ao exterior, à privação dos toques carinhosos dos leitores. Quando as seleccionam, abrindo as páginas e deixar sair os ecos da parte mais interior. Depois, passarem para (...)
04.11.25

A fonte não está a deitar ...


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Abri a porta à manhã, e levei com ar frio no rosto, bruscamente de uma aldeia para outra a temperatura nas viagens e andanças perdeu ânimo. O sol abatido por nuvens cinzentas a sobreporem-se ao brilho que nos faz acreditar que não há dias maus. Na rua os rostos que se atrevem a percorrer o acesso principal da aldeia, passam carrancudos. Sombrios, como o tempo pardacento, vão na direcção das hortas empoleiradas, nos terraços inclinados para o rio. A subsistência está sempre em (...)
16.10.25

Panos verdes estendidos ...


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O sol em cima da biblioteca ambulante, não tem clemência pelo bibliotecário, pelos personagens que tomam parte das acções nas histórias. No meio, reduzidos a traços de tinta, no interior das páginas, suplicam para que o tempo passe depressa na aldeia de Martinchel. Não querem estar no lugar improvisado, o de sempre ficou indisponível, ao colocarem pilares. Impedindo o acesso ao exíguo largo situado defronte da estrada que nunca dorme. O abuso de alguns, impede o estacionamento (...)
03.09.25

A biblioteca vem e vai ...


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Aldeia do Mato, povoação assente sobre um braço do rio Zêzere, destacando-se em cima da praia fluvial. O verão traz forasteiros, de passagem, para se banharem na praia fluvial, os filhos da terra ocupam as casas, vazias nos meses que sobram. No século passado, havia quem transpusesse o rio Zêzere quando este não passava de uma linha, torneando calhaus, descendo pelos declives, no meio dos pinhais. Vinham da Serra de Tomar, abastecerem-se no comércio da Aldeia do Mato, após a (...)
08.07.25

Uma pequena extensão onde ...


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A sombra da tília, o lugar onde brota água, o jornal, a biblioteca ambulante, que não se vê. O espaço público embelezado pelo mural, expressando actividades rurais, ofícios e tradições das gentes da aldeia de Martinchel. Uma pequena extensão onde cabe o mundo, os leitores, felizes, as histórias, felizardas, pelo préstimo às pessoas da aldeia. No lado oposto, a estrada que não dorme, o trânsito automóvel em ambos os sentidos não dá descanso ao silêncio. Necessário para (...)
20.05.25

Imaginação para escrevermos na face da ...


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O sol na ficção literária pode ser uma nave não tripulada, imóvel, a disparar traços de luz contínuos. Fulminando o planeta, aquecendo a água dos oceanos, colocando a atmosfera em movimento. Um pintor criando a melancolia o renascimento, o desejo, a introspecção. Na Aldeia do Mato, povoação de braço dado, com o rio Zêzere, a biblioteca ambulante, arremessa palavras, acertando nas pessoas, quando, caminham próximo do auge, das histórias. A sombra, lentamente conquista o (...)
30.04.25

Ensopado em palavras, no ...


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O céu desabou nas aldeias da minha terra, a queda de água em catadupa, agita as pessoas. Andam apressadas na rua, não querem ser molhadas, são constantes os disparos de água feitos pelos automóveis. Quando pisam os charcos a ocorrerem de um momento para o outro, a chuva não se cansa, ficam os transeuntes fatigados, ao passarem no local a correr. Entram esbaforidos nos lugares de trabalho, reclamando, encharcados. Andamos sempre a reclamar, quando não chove, quando chove sem (...)
21.03.25

A riqueza de uma região ...


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As mãos prendem a manta de histórias, não querem deixar sair dos retalhos as memórias da longa vida que possuem. Histórias imortalizadas pela criação de cada uma, vidas cruzadas por fios, por tintas, materiais diversos. Mais importante, a oralidade, a leitura que aprenderam a gostar na biblioteca ambulante. Quatro caminhos, bruxas, homens transformados em lobo nas noites de lua cheia, narrativas que ouviram contar ao calor da lareira, no tempo em que a televisão era uma miragem. (...)
03.03.25

As histórias unem o que estava separado ...


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Uma árvore despida, um banco vazio, a biblioteca ambulante sem leitores, uma obra de malha feita com fios de algodão ornamentando o tronco. Partes de uma história, das viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra. Pedaços presos nas memórias, da árvore invadida por folhas dando sombra a quem se senta no banco, aguardando o momento de ir escolher uma história. Sem deixar de observar  o trabalho feito manualmente com a agulha. Uma corrente concluída pelos (...)