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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

19.Jan.23

Dois cães ladram ...

historiasabeirario
De manhã a mão direita estava atordoada, não obedecia ao impulso de querer rabiscar qualquer coisa, o frio atrasava os movimentos. Este não retardou as leitoras, numa azáfama a explorarem histórias que lhes dêem condimento e sabor, a leitura é um prato para ser consumido com prazer. A tarde trouxe ideias para continuar a escrever, o sol está receoso, as nuvens ao largo não o deixam sossegado, a qualquer momento poderá ser absorvido por estas. As mulheres na rua andam (...)
02.Jan.23

Em Troia ...

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Alguns dias de descanso bastaram para causar um engano no itinerário no primeiro dia das viagens e andanças. A resposta da biblioteca ambulante, em pouco tempo, atravessou aldeias, possivelmente a fomentar interrogações nos leitores que a possam ter avistado nas suas aldeias, rápida a furar a espessa névoa nalgumas zonas, a estender a aceleração nos vales para se obstringir na charneca perante as imagens pouco claras das árvores que se aproximavam da estrada de uma maneira (...)
13.Dez.22

Este desembaraço do rio ...

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Os campos acumulam charcas instantâneas onde as cegonhas se recreiam, as bermas que ladeiam a estrada levando a biblioteca ambulante não conseguem suster a água, atravessando a mesma sem vergonha ao ponto de a submergir. As ribeiras transformaram-se nos rápidos do Grand Canyon. A charneca é uma cascata enorme, a água brota em todo o lado, nasce do interior da terra, rasga trilhos, causando enormes fissuras longitudinais. Homens e máquinas não param, limpam os caminhos de água e (...)
22.Nov.22

A ausência e o frio ...

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A ausência e o frio são personagens que deambulam no largo, a chuva faz parte do lugar, depois há os papeis secundários. Um cão atravessa o largo velozmente em perseguição de um automóvel, advinho que o dono do mesmo saiu sem o convidar para o passeio. Este tendo em conta a desconsideração daquele que considerava ser o seu fiel amigo, não fez súplicas e desprende-se a correr no seu encalce. Os primeiros desta acção voltam a ter papel preponderante na história. Um ligeiro (...)
04.Nov.22

As letras adicionadas...

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O burburinho da chuva a cair na rua, sem poder abrir as portas da biblioteca ambulante, balançou-me a fazer parte das histórias. Invadir, trilhar as linhas imaginárias, onde as letras adicionadas às palavras criam frases, levando a acontecimentos. O dia cinzento tornou o espaço onde os livros estão dispostos mais obscuro. Intimista para incutir a abordagem com as diversas personagens, caminhando sem destino procurando imprevistos. Estar face a face com algumas figuras, obras da (...)
14.Out.22

Onde param as mulheres ...

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Onde param as mulheres sentadas no banco de alvenaria, sempre que a biblioteca ambulante permanece no largo São João de Brito. Onde estarão as leitoras e as que aguardam pela padeira diariamente, não podem ter desaparecido subitamente. O largo vazou, não há histórias para ouvir, para dar, o mexerico, motor da oralidade de lugares estará danificado, ou será apenas coincidência ter vindo à aldeia novamente e deparar com esta desocupação. As hortas neste princípio de outono (...)
27.Set.22

Outra vez traído pela vontade ...

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A cor dourada da manhã não estimula os leitores saírem de suas casas, talvez o bafo frio do vento os retenha. Enganei-me, a carrinha da padeira a buzinar ruidosamente, ainda não tinha alcançado as primeiras casas da aldeia, retirou imediatamente alguns de casa. Outra vez traído pela vontade da presença de amantes da leitura, logo estes não se prendem às histórias para manterem a estabilidade emocional. Com os sacos presos nas mãos, não vá a aragem endiabrada levá-los, (...)
08.Set.22

Único leitor da aldeia ...

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Todas as vezes que chego à sua aldeia, está sempre sentado com o saco das histórias aos seus pés, encontro-o com o tronco curvado e olhar errante, quase sempre é esta a postura. Hoje cheguei primeiro, entra colocando o saco no pequeno balcão, imediatamente retira o cartão de leitor, como se não soubesse eu o nome do único leitor da aldeia, dirigi-se para as histórias como quem vai à fonte matar a sede. O assunto da conversa é sempre a horta, a escassez de chuva  para (...)
02.Ago.22

Parecia que aquelas pequenas luzes...

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O homem velho estava com  um  olhar radiante, manobrava o volante da biblioteca ambulante tentado estacionar o melhor possível, logo ali na entrada da porta da sua casa os seus olhos cintilavam. Parecia que aquelas pequenas luzes me queriam iluminar o local onde iria demorar-me. Ao lado, a sua filha sentada, deduzi que as férias a tinham trazido à aldeia visitar o pai. Lembrei-me da conversa que tinha tido com ele na última presença da biblioteca ambulante na aldeia, a sua mulher (...)
27.Jun.22

Mais próximo de quem lhe enviava a saudade...

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O Ti Chico comprava pão, ao mesmo tempo questionava o padeiro se queria comprar mel, tem para cima de cem colmeias, segundo ele. Ouviu do padeiro que o avô praticava o mesmo ofício, não conseguindo concretizar um possível negócio. Na aldeia as manhãs no largo são sempre assim, sentadas, as pessoas esperam pelo homem que traz o pão. A biblioteca ambulante não tinha calado o motor e o viajante das viagens e andanças já tinha descoberto a existência de um furo num pneu. A sorte (...)