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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

08.Jul.21

Não rejeita...

historiasabeirario
A sombra acolhe a biblioteca ambulante na aldeia da Concavada, na esplanada do café do Largo, homens sentados fumam cigarros sem parar. Talvez assim o tempo progrida mais depressa, mas apressados só vejo os automóveis que transitam nos dois sentidos, na estrada logo ali ao lado. Assim estão eles, fixando os telemóveis, ignorando os diálogos. São as aldeias dos tempos actuais, com população diminuída, poucos leitores, e transmissão de conhecimento pela oralidade em vias de (...)
24.Mai.21

Possa ser partilhada...

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Chove na aldeia do Pego, não é uma precipitação agressiva, a água cai suavemente, pontilhando o vidro da biblioteca ambulante. Unindo-os que desenho despontaria, mas tal não irá acontecer, pois a quantidade de água lançada para baixo aumentou, modificando a tela de vidro em várias carreiras de água. Parece que rebentou algo lá para cima, não pára de chover, com o avançar da manhã manifesta-se mais abundante. O pior já lá vai, a escola abriu as portas, as crianças (...)
04.Mai.21

O novo tempo não tem tempo...

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O novo tempo não tem tempo. Chegou o instante, e a biblioteca ambulante está de novo na estrada, nas viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra. O refazer invade o viajante das viagens e andanças. A emoção, voltar à estrada, às pessoas, mas também readaptar o passado ao presente modificado. Ao serviço de todas as pessoas. 
19.Set.20

Para muito breve

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Voltei ao vale que divide a charneca, não foi um regresso às viagens e andanças, foi relembrar um passado recente. Para o viajante das viagens e andanças se tornou demasiado longo, as saudades das viagens, de levar histórias, das pessoas, não se escoaram, ficaram as memórias. Foram elas que me empurraram de casa para o vale, para visitar as aldeias do Vale Zebrinho, Barrada e Pego. São lugares onde a biblioteca ambulante se demorou, em tardes longas no verão e curtas no inverno. (...)
04.Ago.20

Onde muitas vezes repouso o olhar

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Na varanda, onde muitas vezes repouso o olhar, começo a distinguir para além do rio, ao longe, a aldeia  de Arreciadas, repentinamente uma vaga de memórias alcança a minha ausência do momento. No pequeno banco sentado, o João e um saco cheio de histórias pousado no chão, aguarda a chegada da biblioteca ambulante. Agora que as histórias se afastaram, continuará o João nos dias assinalados estar de olhar atento lá em cima onde a estrada desemboca no princípio da aldeia, (...)
12.Mar.20

O sustento que nós precisamos

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  Na estrada não ouço música, mas vejo as flores a dançarem, nas viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra. No sentido da aldeia da Barrada a biblioteca ambulante transita na planície, os campos são de perder a vista, aqui e acolá alguns rebanhos apascetam, longe do búrburio citadino o viajante das viagens e andanças enquanto conduz as histórias relembra um episódio passado na tarde de ontem na aldeia de Arreciadas com um leitor. Ao entrar questionava se (...)
29.Jan.20

Um objecto tão bom e importante

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  Voltei ao vale, desta vez só de passagem, na direcção da aldeia do Pego, está cheio de regatos, de histórias que não se  vêem. O rebanho de ontem já estava no curral, depois de um dia no campo, nas pastagens, os animais acompanham o declinar do dia. Na aldeia do Pego o odor do fumo saído das chaminés das casas baixas, assim como o das carnes do porco nas grelhas aproxima-se das narinas do viajante das viagens e andanças. Quarta-feira, é sempre dia de petiscos nesta (...)
12.Dez.19

Aguardam a chegada das histórias

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  Uma densa cortina de água ofusca o largo na aldeia  da Concavada, nas viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra. Parece desabitado, pior ainda, abandonado, as folhas que se soltam das árvores vagueiam empurradas pelo vento. Com o decorrer da duração da presença da biblioteca ambulante, o viajante das viagens e andanças, acostuma-se, a sua vista alcança umas luzes de cores verdes, encarnadas e amarelas piscando no interior do Café do Largo. Afinal há vida (...)
05.Nov.19

As histórias iluminadas

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  A noite quase alcançava a biblioteca ambulante, no seu curto percurso entre as aldeias da Concavada e do Pego, ainda assim foram as histórias a permanecer à frente. As pancadas  do relógio na torre da igreja dão as seis horas, não fosse a iluminação pública, a escuridão seria assustadora, o para-brisa da biblioteca ambulante está saturado de minúsculas gotas de água, parecem ser cabeças de alfinetes, mas tudo não passa de chuva. A temperatura combalida, (...)