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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

11.Jun.21

Estantes a soçobrar...

historiasabeirario
A tarde suplantou a manhã, agora na aldeia do Carvalhal com enormes nuvens no horizonte anunciando trovoada a aproximar-se, a biblioteca ambulante permanece numa das partes extremas da aldeia. A esplanada do café concentra algumas pessoas, todas têm máscaras no queixo, um acessório que veio para ficar. Para estes, as histórias são olhadas com indiferença, possivelmente têm nas suas casas, estantes a soçobrar com o peso destas. Muitas, ou talvez todas por folhear, por cheirar a (...)
11.Jun.21

Um vai-vem de histórias...

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A viagem para a Aldeia do Mato decorreu enrolada na frescura matinal. O sol sem coragem para se sobrepor à camada de nuvens, que teimosamente pairam sobre este pedaço de terra. Na fonte junto do Kayak Bar, o ambiente sossegado promove a leitura dos jornais que a biblioteca ambulante disponibiliza. Foi o que fez um cliente, sentado numa das poucas mesas, no exterior do estabelecimento. Vê-se mais pessoas na rua, com toalhas de praia penduradas no ombro, entram no bar, saem com (...)
09.Jun.21

Desperta memórias...

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O quotidiano nas aldeias está a voltar à normalidade, isto é, se alguma vez houve anormalidade. Todos os dias, a começar no regresso da biblioteca ambulante às aldeias da minha terra, observo, a excepção são as máscaras a tapar o queixo dos aldeões que andam nas poucas ruas das suas terras. Embora haja outra aproximação e maneiras de agir como sempre houve, o exemplo de hoje na aldeia do Vale das Mós, onde a pequenada entrou e provou a leitura das histórias. Dedos com (...)
04.Jun.21

Apreciem as histórias

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Na aldeia de São Facundo a manhã desenvolve-se ao som das melodias da passarada, escondida na enorme tília, no adro da Igreja. É a primeira vez que a biblioteca ambulante permanece junto do templo, a sombra e o perfume das flores da árvore convidaram o viajante das viagens e andanças a deter a marcha. Não sei se haverá apoio, novos leitores, subitamente uma mulher surge segurando um balde numa das mãos,  despeja a água suja da lavagem do chão da entrada da sua casa. Anda por (...)
02.Jun.21

Somos nós quando nos lembramos dos que permanecem

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" Vou-te levar nas palavras, a máquina não para ", são letras de uma composição musical, que vestem na perfeição a biblioteca ambulante. Nesta errância por estradas que atravessam aldeias e lugares, é o que trago e levo diariamente das pessoas distantes do aglomerado populacional, que é a cidade e o seu limite urbano. Palavras resignadas, de alegrias, de tristezas, do cansaço de uma vida a trabalhar no campo. Para mim são esperança, ouvindo-os, sei que eles continuam a (...)
01.Jun.21

Na tua aldeia...

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Leitor amador, compreendes com prazer, és trabalhador, curioso a escolher, sempre a comparecer. Geralmente a biblioteca ambulante aproxima-se num instante, na tua aldeia o único visitante, uma candeia a iluminar a tua gente. 
31.Mai.21

Tem que comer o pão...

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O dia chegou cerrado nas primeiras horas, na aldeia do Tubaral o céu azul poderá trazer leitores à biblioteca ambulante, as mesmas mulheres, sentadas, vigiam a vinda da padeira. No lado oposto estão as histórias, cuidam de maneira atenciosa quem as levar, a padeira aproxima-se a buzinar, causando um som penetrante, a canzoada agita-se, não param de ladrar, os diálogos ficam imperceptíveis. As mulheres levantam-se, vão na direcção da carrinha que traz o alimento. A biblioteca (...)
28.Mai.21

A bola no recreio...

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Em frente da Escola Básica António Torrado, a biblioteca ambulante aberta de par em par, na entrada os pais aguardam pelos filhos, algumas crianças brincam nos espaços reservados ao divertimento. Guiados pelas mãos dos progenitores afastam-se, ignoram a biblioteca ambulante, estes pais e mães, não têm sensibilidade para a leitura, não indicam as histórias aos filhos. Também eles não foram acostumados a segurarem histórias, objecto estranho este o livro, quem diria. A bola no (...)