Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

09.Dez.22

Ideal para histórias empolgantes ...

historiasabeirario
As aldeias a norte do território, situadas entre os rios Zêzere e Tejo, continuam na obscuridade, cenário ideal para histórias empolgantes, daquelas em que o cansaço durante a leitura tarda ou nunca surge. O filme ou a história da biblioteca ambulante, personagem secundária a percorrer caminhos no centro da névoa, da floresta tanta vez transformada em espectro, técnica utilizada na indústria do entretenimento, uma película onde as pessoas têm os papeis mais  valiosos, (...)
07.Dez.22

Afinal enganei-me ...

historiasabeirario
A estrada sinuosa parece não ter fim, de mãos dadas com o rio, a biblioteca ambulante e as histórias vão ao encontro dos leitores. Desatentos ao caminho, encantados por o rio estar a correr cheio de energia, com  as águas escuras e dinâmicas, os dois observam em ambas as margens os choupos molhando as raízes na corrente. As cores amadurecidas das folhas cativam os olhos de quem passa na estrada, brilhando quando o sol consegue cravar os raios fugitivos da tristeza do céu. A (...)
06.Dez.22

Não agarraram os genes

historiasabeirario
O som da moto-serra empunhada pelo homem equilibrando-se no escadote a cortar ramos de uma árvore absorve a tranquilidade da tarde na aldeia. Este desafio à quietude  do lugar chamou a curiosidade, esta, trouxe as pessoas ao largo, pô-las a falar alto umas com as outras para se perceberem, mas sempre com os olhos colocados no trabalho realizado na árvore. Talvez entendam do assunto, acredito que sim, estamos num território rural, ou eventualmente não concordam com a separação, ou (...)
05.Dez.22

Nestes momentos profundos ...

historiasabeirario
As árvores despem-se sem pudor, na sensualidade das folhas a caírem após despegarem-se daqueles que foram os embriões das suas curtas existências, espirais ao redor de uma vara imaginária, num bailado no qual os meus olhos se enamoram.  A serenidade das cores acompanha a despedida tranquila destes pedaços cheios de nervuras, filamentos que transportaram vida terminam no chão frio e molhado. A agitação do vento parou, agora é tempo de colocar os enfeites de Natal  no (...)
30.Nov.22

Estou como o pescador ...

historiasabeirario
O frio não demove a chuva mesquinha a cair obstinadamente nesta manhã na Aldeia do Mato. Sem abrir as portas da biblioteca ambulante espero pacientemente por leitores aventureiros. Estou  como o pescador lá em baixo no rio, aguardando sem perder a calma que o peixe caia na armadilha presa no anzol. Não têm conta os lançamentos da linha de pesca efectuados para a água até o peixe ser apanhado nas falsas afirmações do isco. No interior da biblioteca, sem linha, com a chuva a (...)
28.Nov.22

A sombra não é a mesma ...

historiasabeirario
O sol está encolhido, tento descobrir a áurea sem sucesso, o nevoeiro muito unido impede a sua visibilidade, uma barreira impossível de transpor. Na rua as pessoas andam vergadas  com as mãos nos bolsos, apressadas a fugir do frio. A caminho das aldeias da minha terra, no alto do meu lugar de condução da biblioteca ambulante sou um privilegiado por conseguir mesmo a fugir, observar pequenas actividades laborais ao longo das estradas que levam as histórias. As mulheres que (...)
25.Nov.22

Sai como a linha a deixar o buraco da...

historiasabeirario
O nevoeiro é um intruso silencioso a passar nos lugares estreitos da charneca, uma serpente que alastra pelo vale adiante. A biblioteca ambulante sai como a linha a deixar o buraco da agulha  deste tempo vagabundo, atingindo a aldeia no topo do terreno onde crescem plantas rasteiras. Ao sol na rua principal os velhos sentados nas soleiras das portas, aquecem os ossos carcomidos pelo peso da idade,  o corpo encurvado, consumidos, parecem cartão dobrado, preparado para ser metido nos (...)
24.Nov.22

De maneira ininterrupta ...

historiasabeirario
Esmagada sob um céu escuro e, abarrotado de água, a manhã tem sido proveitosa na deslocação de leitores à biblioteca ambulante. Não esperava esta assiduidade, a chuva não os demoveu de restituírem as histórias requisitadas na última visita. De maneira ininterrupta a chuva espalha vida nos campos desejosos de encherem o ventre, no qual os animais dispersos nas pastagens e, na charneca irão beber até ficarem saciados. Os leitores não se embaraçam, deambulam no reduzido (...)
23.Nov.22

A pesquisa minuciosa ...

historiasabeirario
A escrita é substituída pela agulha e linha à mão, sem abandonar a máquina quando necessário. Um método diferente de transmitir histórias, o fio em vez da tinta, a agulha troca com a caneta, sempre com a mão a conduzir. A pesquisa minuciosa leva o seu tempo, passam as revistas a pente fino até encontrarem a figura que lhes irá invadir o tempo livre. São conquistadas pelo estilo de bordar do recortado e rendado. O escritor opta pela escrita criativa, usando a imaginação para (...)
22.Nov.22

A ausência e o frio ...

historiasabeirario
A ausência e o frio são personagens que deambulam no largo, a chuva faz parte do lugar, depois há os papeis secundários. Um cão atravessa o largo velozmente em perseguição de um automóvel, advinho que o dono do mesmo saiu sem o convidar para o passeio. Este tendo em conta a desconsideração daquele que considerava ser o seu fiel amigo, não fez súplicas e desprende-se a correr no seu encalce. Os primeiros desta acção voltam a ter papel preponderante na história. Um ligeiro (...)