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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

14.Jan.22

Não fosse a escrita o aprisionar...

historiasabeirario
O primeiro dia frio deste inverno está a acontecer hoje, na aldeia dos Casais de Revelhos uma aragem gelada varre tudo à sua frente. Se abrisse as páginas de uma história, as palavras soltavam-se, sopradas pela corrente de ar, sem obstáculos certamente voariam em liberdade para qualquer lugar.Foi de um sítio longínquo que as primeiras palavras geradas se ligaram como se de um oráculo se tratasse, dando forma à escrita dos nossos dias. Esse sopro de vida na (...)
13.Jan.22

estão resignados...

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Estão a tarde toda sentados na esplanada do café, atrevo-me a escrever que são como o mobiliário exposto do estabelecimento. Todas as vezes que a biblioteca ambulante permanece na aldeia, ali estão eles colados nas cadeiras, há momentos em que não se ouvem, noutros as vozes fazem-se ouvir no final da aldeia, sobrepõem-se ao trânsito automóvel que não se cansa de atravessar a povoação. Chegam quase às agressões, tal não é a quantidade de impropérios dirigidos  uns aos (...)
12.Jan.22

Um sentimento de transmissão...

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  Beber na sabedoria dos velhos, nas fontes ainda vivas. Ouvir as histórias narradas por quem sempre as recebeu pela oralidade. Modos de falar restritos próprios das diversas comunidades e aldeias, tem sido assim que o viajante das viagens e andanças conheceu algumas delas. Muitas já estão impressas nos livros, mas não é a mesma coisa. Ouvi-las a sair de quem as conhece ou escutou por outros é bem melhor. A história narrada oralmente tem sempre um final, um início, (...)
11.Jan.22

Seria bom...

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Na charneca a névoa rompe por entre os sobreiros, mais à frente em campo desobstruído as  ovelhas pisam o chão gelado sem erguerem o focinho. A erva tenra não as demove, levam a eito o tapete natural, alguns leitores da biblioteca ambulante, quando pegam nas histórias e abrem as páginas são assim. Quando abrem as páginas das histórias, de rosto fixo na história, pegam nas palavras puxando-as, trazendo personagens, emoções, sentem prazer a  ler. Seria bom se todos (...)
10.Jan.22

Talvez as histórias...

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Segundo a mulher do Gregório, ele estava dormente, quando lá fui de tarde, após ter estado estacionado de manhã com a biblioteca ambulante na sua aldeia no Vale de Açor. Como estava ausente no primeiro período voltei novamente para que pudesse devolver a história cedida da última vez que a aqui tinha permanecido. A sua mulher ainda disse que estava ao lume, não quis receber os raios do sol após o almoço, em casa é que estava bem segundo ele. O Gregório lá apareceu segurando (...)