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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

05.Ago.22

Afinal um pouco mais ...

historiasabeirario
A aldeia está a desaparecer, foi esta a primeira frase que a leitora disse ao entrar na biblioteca ambulante. Efectivamente é isto que se passa nesta e noutras onde as histórias permanecem aguardando pelos leitores. Aldeias pequenas, outras maiores, lugares plantados no meio destas, onde as pessoas deixam de ser vistas, originam  aos que ainda cá andam a sentenciarem a própria aldeia onde vivem. A qualidade existe para quem opte viver nestes locais determinados na charneca ou (...)
30.Jun.22

Só o tempo passa pelas suas aberturas...

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O largo está ermo, ouço os pássaros,  mas não consigo vislumbrar vivalma. O vento também se faz ouvir no alcatrão quente, um painel para os traços grossos, não passam de sombras dos fios que nos permitem comunicar, como o sombreado dos prédios que ladeiam um dos lados da rua que desemboca na área onde cada vez mais só o ar a ocupa. A chaminé quieta sobre um telhado desgastado, onde só o tempo passa pelas suas aberturas, parece querer dizer que a estrutura onde está (...)
29.Abr.22

Talvez o cheiro...

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O que poderia ser um dia grandioso de primavera não o é, o causador é o vento desagradável que sopra na charneca. Não fosse o odor perfumado das flores das laranjeiras chegar à biblioteca ambulante, e sem permissão penetrar nas narinas do viajante das viagens e andanças, o resto do dia seria péssimo. Talvez o cheiro cative os leitores e não leitores, que os puxe às histórias, assim possuídos pelo perfume, possam mudar os comportamentos que têm para com a literatura, e a sua (...)
08.Abr.22

A leitora não podia sair...

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A leitora não podia sair de sua casa, no seu lugar veio um vizinho informar que a Maria suportava o covid. Através dele questionava se podia entregar as histórias, que as deixava na porta à entrada de casa. Respondi que não havia problema, mas poderia continuar com elas, melhor ainda, se queria mais alguma história para acrescentar aos dias que ficaria isolada. Olhei da biblioteca ambulante, a Maria no interior de casa, aguardando à janela pela reposta,  com uma história na mão (...)
03.Mar.22

Os dias andam encolhidos...

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A chuva voltou, o frio está mais pronunciado e o vento anda  zangado, na aldeia pouca gente se vê, só os mais corajosos, ou aqueles que precisam de bens alimentares e livros se avistam na rua principal onde tudo acontece. Com a porta aberta o ar gelado rompe a cortina que demonstrava afabilidade com o viajante das viagens e andanças, a leitora ausente a estas impressões externas, está a abrir caminho nas páginas das histórias, talvez a saltar capítulos para apressadamente chegar (...)
23.Nov.21

Antes lessem...

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Onde a terra começa a espreguiçar-se e a estrada foge, tractores puxando alfaias mecanizadas revoltam as terras no Salvadorinho. A terra tem que ser mexida, assanhada para receber sementes novas, não tem sequer tempo para descansar na agricultura dos dias de hoje. Assim estão as pessoas, não lhes sobra intervalos para lerem, muitas vezes a resposta que dão é que têm muitos livros em casa, que o tempo é curto para estarem com um livro na mão. Já basta aqueles que infelizmente (...)
20.Set.21

Um partir e regressar...

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Os campos estão adormecidos a esta hora da manhã, a velhice é perceptível na cor das folhas das videiras, a colheita da uvas já foram. Agora é tempo da fermentação antes da trasfega, para depois se entregar ao amadurecimento até o vinho se tornar bebível. Os raios solares ao tocarem na ramagem gem de algumas árvores, tornam-se resplandecentes, estão assim, e à medida que os dias avançam, os campos a ficarem ornados a ouro. Pelo cacarejar da galinha, acabou de pôr um ovo, (...)
04.Jan.20

Continua ainda com mais sabor e ardor

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  Finalmente o sol está nas viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra, os rostos sorridentes manifestados nas pessoas logo de manhã trouxeram motivação para outro dia cheio de histórias. No sentido contrário ao do rio Tejo, numa curta boleia da A23, a biblioteca ambulante sai rumando à aldeia da Concavada sem acontecer coisa nenhuma, estacionou na aldeia da Ribeira do Fernando. O José sentado numa mesa do café do qual é proprietário, ergueu-se subitamente (...)
14.Nov.19

Temos de ser condescendentes

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  Chuva e muito frio mimam a manhã nas viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra. Não vi a temperatura pela manhã, não estava frio, agora não posso sair da biblioteca ambulante, na aldeia da Ribeira do Fernando o vento, a precipitação, os 9º centígrados, uma união que não permite veleidade. O José teve o arrojo de se aproximar com a história, entrou num pulo, estava por acabar a leitura, não tinha tido tempo de a terminar. Perscrutando o seu (...)